Vacina contra melanoma reduz pela metade o risco de recorrência e metástase em 5 anos
Uma vacina1 personalizada experimental para melanoma2 ressecado cirurgicamente demonstrou benefícios duradouros na redução dos riscos de recorrência3 e disseminação à distância, conforme revelou o acompanhamento de 5 anos de um estudo randomizado4.
A adição da vacina1 de mRNA intismeran autogene ao pembrolizumabe (Keytruda) em casos de melanoma2 ressecado nos estágios IIIB-IV reduziu o risco de recorrência3 ou morte em 49% (HR 0,51; IC de 95%: 0,29-0,89) e o risco de metástase5 à distância ou morte em 59% (HR 0,41; IC de 95%: 0,20-0,84), relatou o Dr. Matteo Carlino, da Universidade de Sydney.
Após 4 anos, as taxas absolutas de sobrevida6 livre de recorrência3 (SLR) e sobrevida6 livre de metástase5 à distância (SLMD) com a adição da vacina1 de neoantígenos apresentaram uma melhora de cerca de 20% em comparação com o uso isolado do inibidor de PD-1:
- SLR: 72,4% vs. 49,1%
- SLMD: 83,9% vs. 65,4%
As diferenças na sobrevida6 global não foram estatisticamente significativas, mas mostraram uma tendência favorável (HR 0,47; IC de 95%: 0,16-1,35), com taxas em 4 anos de 92,2% e 85,6%, respectivamente.
“Este estudo confirma que a combinação de intismeran e pembrolizumabe demonstra um benefício duradouro em relação ao pembrolizumabe isolado no tratamento de melanoma2 ressecado de alto risco”, afirmou Carlino durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), acrescentando que a combinação apresentou um perfil de segurança favorável.
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Os resultados atualizados do estudo de fase IIb foram publicados simultaneamente no Journal of Clinical Oncology, e um estudo de fase III avaliando a combinação em melanoma2 de alto risco (INTerpath-001) está em andamento, já tendo concluído o recrutamento de pacientes. (A vacina1 também está sendo avaliada em estudos de fase avançada para câncer7 de pulmão9 e em estudos de fase inicial para outros tipos de tumor10.)
A abordagem com o intismeran (anteriormente V940 ou mRNA-4157) visa fortalecer a atividade existente das células11 T e criar novas respostas antitumorais mediadas por células11 T. A vacina1 pode codificar até 34 neoantígenos personalizados encapsulados em uma nanopartícula lipídica; sua fabricação requer uma amostra tumoral de 1 mm³ do paciente para a identificação dos neoantígenos por meio de sequenciamento de nova geração.
Dados translacionais apresentados por Carlino mostraram que a vacina1 ajudou a gerar novos clones de células11 T persistentes, associados a um menor risco de recorrência3, o que sugere uma vigilância imunológica duradoura.
As novas descobertas complementam a análise primária do estudo, divulgada em 2023, que demonstrou pela primeira vez o benefício na sobrevida6 livre de recorrência3.
Talvez a questão mais importante não seja se a vacina1 funciona, mas onde ela se encaixaria na prática clínica e se a resposta imune proporcionada por essa abordagem difere, em grau clinicamente relevante, daquela obtida com a imunoterapia neoadjuvante, afirmou o Dr. Rodrigo Ramella Munhoz, médico e pesquisador do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, que atuou como debatedor no congresso da ASCO.
“Atualmente, pacientes com doença em estágio IV são tratados preferencialmente com terapias sistêmicas iniciais para doença metastática12 avançada”, disse ele. “Aqueles com doença em estágio III clinicamente detectável, que representam a maioria no estudo KEYNOTE-942, estão migrando gradualmente para abordagens neoadjuvantes.”
Ainda existe controvérsia sobre os benefícios a longo prazo da terapia adjuvante, observou Munhoz, visto que nenhum benefício na sobrevida6 global foi documentado em estudos randomizados desde o EORTC 18071, há uma década, apesar de terem sido observadas melhorias significativas na SLR e na SLMD.
Isso “levanta a questão inevitável de saber se a população de pacientes que naturalmente se beneficia da terapia adjuvante coincide com a população de pacientes passível de receber terapias de resgate em caso de recorrência3 da doença”, disse ele.
Ainda assim, os pacientes que poderiam se beneficiar de uma abordagem adjuvante incluem aqueles que não alcançam resposta patológica completa após a terapia neoadjuvante e algumas populações que não são submetidas à terapia neoadjuvante, como pacientes com doença microscópica em estágio III e, talvez, doença em estágio II de alto risco, afirmou Munhoz.
Como abordagens combinadas anteriores no cenário adjuvante não conseguiram melhorar os desfechos, a confirmação do benefício do intismeran no estudo INTerpath-001 será crucial, segundo Munhoz, que também ressaltou que a complexidade operacional, os prazos de fabricação e os custos podem limitar a ampla aplicabilidade da abordagem de vacina1 personalizada.
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Confira a seguir o resumo do artigo publicado.
Intismeran autogene mais pembrolizumabe versus pembrolizumabe isolado em melanoma2 ressecado de alto risco: atualização de 5 anos do estudo randomizado4 de fase 2b KEYNOTE-942
O intismeran autogene (intismeran; anteriormente V940 ou mRNA-4157) é uma terapia com neoantígenos individualizados baseada em mRNA. Relatou-se os resultados de 5 anos do tratamento com intismeran mais pembrolizumabe, provenientes do estudo de fase 2b KEYNOTE-942.
Pacientes elegíveis com melanoma2 cutâneo14 ressecado em estágios IIIB‒IV foram randomizados na proporção de 2:1 para receber 9 doses de intismeran (1 mg, via intramuscular, a cada 3 semanas) mais 18 doses de pembrolizumabe (200 mg, via intravenosa, a cada 3 semanas) ou 18 doses de pembrolizumabe (200 mg, via intravenosa, a cada 3 semanas). Os tratamentos foram mantidos até a progressão da doença ou toxicidade15 inaceitável.
O tratamento com pembrolizumabe foi iniciado em até 13 semanas após a cirurgia, e os pacientes precisavam ter tecido16 tumoral suficiente disponível para permitir a elaboração do intismeran.
A idade média dos participantes era de cerca de 60 anos; mais de 60% eram homens e mais de 85% apresentavam câncer7 nos estágios IIIC-D. Uma proporção ligeiramente maior de pacientes no braço do intismeran era positiva para PD-L1 (65,4% vs. 56%), enquanto uma proporção semelhante apresentava mutações BRAF acionáveis (38,3% vs. 40%).
O desfecho primário foi a sobrevida6 livre de recorrência3 (SLR); os desfechos secundários incluíram sobrevida6 livre de metástase5 à distância (SLMD) e segurança. As análises de 5 anos foram descritivas.
Entre os 157 pacientes randomizados (intismeran mais pembrolizumabe, n = 107; pembrolizumabe, n = 50), a mediana do acompanhamento planejado na data de corte dos dados (15 de dezembro de 2025) foi de 60,3 meses (variação: 50,5‒76,4).
O tratamento com intismeran mais pembrolizumabe continuou a prolongar a SLR (HR: 0,510; IC de 95%: 0,294‒0,887) e a SLMD (0,411; 0,200‒0,843), com uma tendência favorável na sobrevida6 global (0,471; 0,165‒1,345) em comparação ao pembrolizumabe.
O benefício na SLR estendeu-se a todos os subgrupos relevantes, incluindo estágio do tumor10, expressão de PD-L1 ou status de mutação17 BRAF e carga mutacional do tumor10.
O perfil de segurança manteve-se manejável, sem novos sinais18 de segurança. Eventos adversos (EAs) relacionados ao tratamento foram relatados em todos os pacientes do braço de combinação e em 84% dos pacientes do braço com pembrolizumabe. A maioria dos EAs foi de baixo grau, incluindo fadiga19, dor no local da injeção20, febre21 e calafrios22. EAs de grau 3 relacionados ao intismeran ocorreram em 10,6% dos casos.
O tratamento com intismeran mais pembrolizumabe associou-se a uma maior clonalidade do receptor de células11 T e a novos clonótipos em comparação ao pembrolizumabe; observou-se maior expansão de novos clones nos pacientes sem recorrência3 em comparação àqueles com recorrência3 no braço de combinação.
Após 5 anos de acompanhamento, o intismeran associado ao pembrolizumabe demonstrou benefícios de tratamento sustentados e duradouros em comparação com o pembrolizumabe isolado em casos de melanoma2 ressecado de alto risco.
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Fontes:
Journal of Clinical Oncology, publicação em 01 de junho de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 02 de junho de 2026.










