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Combinação de medicamentos de administração semanal para HIV controlado corresponde aos regimes diários padrão

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A mudança para um regime oral semanal experimental com islatravir e lenacapavir (Sunlenca) foi tão eficaz quanto os regimes orais diários padrão de tratamento em pacientes com HIV1 virologicamente suprimido, segundo dois estudos de fase III.

No estudo duplo-cego2 ISLEND-1, 93,4% dos pacientes que migraram do regime de dose única diária com comprimido combinado de bictegravir, entricitabina e tenofovir alafenamida (Biktarvy) para o regime de dose única semanal com comprimido combinado de islatravir e lenacapavir apresentaram níveis de RNA do HIV1-1 inferiores a 50 cópias/mL na 48ª semana, em comparação com 92,4% daqueles que continuaram com o regime diário.

Nenhum paciente do grupo de administração semanal apresentou níveis de RNA do HIV1-1 iguais ou superiores a 50 cópias/mL, contra um paciente no grupo de administração diária, relatou o Dr. Jürgen Rockstroh, do Hospital Universitário de Bonn, na Alemanha, durante a Conferência Internacional de AIDS no Rio de Janeiro.

Os resultados do estudo ISLEND-1 foram publicados simultaneamente no The New England Journal of Medicine.

No estudo aberto ISLEND-2, 95,2% dos pacientes que migraram dos medicamentos diários padrão de tratamento para o regime semanal de islatravir e lenacapavir apresentaram níveis de RNA do HIV1-1 abaixo de 50 cópias/mL na 48ª semana, em comparação com 95,5% daqueles que permaneceram no tratamento diário padrão. A porcentagem de pessoas com níveis de RNA do HIV1-1 iguais ou superiores a 50 cópias/mL foi de 0,3% e 1,3%, respectivamente, relatou a Dra. Amy Colson, da Cambridge Health Alliance, em Massachusetts, em uma apresentação separada durante o evento.

Leia sobre "Infecção3 pelo HIV1", "O que é a AIDS" e "Doenças sexualmente transmissíveis: como evitar".

“Antirretrovirais orais de administração semanal têm o potencial de abordar a fadiga4 em relação à ingestão de comprimidos e os desafios de adesão associados ao tratamento oral diário para o HIV1-1, enquanto aguardamos a cura do HIV”, disse Rockstroh. “Diante da necessidade de terapia por toda a vida, essa é claramente uma questão importante.”

Pessoas com HIV1 em terapia oral diária “expressaram grande interesse em opções orais de ação mais prolongada”, observou Colson. “O islatravir e o lenacapavir têm o potencial de constituir o primeiro regime oral completo de administração semanal para o tratamento do HIV1-1.”

As taxas de adesão ao regime semanal foram elevadas em ambos os estudos. Até a 48ª semana do estudo ISLEND-1, as taxas médias de adesão foram de 98,9% com o regime semanal e de 95,8% com o regime diário. Entre os pacientes do estudo ISLEND-2, a taxa média de adesão ao regime semanal foi de 99,3%; 63,7% dos pacientes relataram que a medicação diária representava um fardo maior, enquanto apenas 0,6% afirmaram o mesmo em relação ao regime semanal de islatravir e lenacapavir.

O islatravir é um inibidor de translocação5 da transcriptase reversa análogo de nucleosídeo em fase de investigação, aprovado para uso em combinação com a doravirina (Idvynso) no tratamento do HIV1. O lenacapavir (Sunlenca) é um inibidor de capsídeo aprovado para uso como tratamento oral ou subcutâneo6, em combinação com outros antirretrovirais, para casos de HIV1 multirresistente a medicamentos. O lenacapavir (Yeztugo) também é aprovado na forma de injeção7 semestral para profilaxia pré-exposição8 (PrEP) em pessoas com risco de contrair HIV1.

Os resultados dos estudos ISLEND corroboram os de um estudo anterior de fase II, no qual 94,2% dos pacientes do grupo que utilizou islatravir e lenacapavir semanalmente e 92,3% dos pacientes do grupo que utilizou diariamente bictegravir, entricitabina e tenofovir alafenamida apresentaram carga viral inferior a 50 cópias/mL após 48 semanas.

Confira a seguir os resumos dos estudos.

Ensaio de fase 3 da combinação oral semanal de islatravir e lenacapavir para o tratamento do HIV1-1

Regimes de dose única diária em comprimido único transformaram o cuidado de pessoas vivendo com o vírus9 da imunodeficiência10 humana tipo 1 (HIV1-1); no entanto, desafios relacionados à adesão continuam a limitar a eficácia do tratamento. Combinações de medicamentos orais de ação prolongada poderiam oferecer novas opções com administração menos frequente.

Realizou-se um ensaio de fase 3, duplo-cego, randomizado11, com controle ativo e desenho de não inferioridade em 12 países, para avaliar a eficácia e a segurança da transição do regime oral diário de bictegravi, entricitabina e tenofovir alafenamida (B/F/TAF) para o regime oral semanal de islatravir e lenacapavir (ISL/LEN) em adultos que apresentavam supressão virológica do HIV1-1 há pelo menos 6 meses sob tratamento com B/F/TAF.

Os participantes foram designados, na proporção de 1:1, para receber ISL/LEN (2 mg/300 mg) uma vez por semana ou para continuar com B/F/TAF uma vez ao dia durante 96 semanas; todos receberam placebo12 correspondente ao regime alternativo.

O desfecho primário foi a porcentagem de participantes com nível de RNA do HIV1-1 igual ou superior a 50 cópias por mililitro na semana 48, conforme determinado pelo algoritmo snapshot definido pela Food and Drug Administration (FDA). A não inferioridade foi estabelecida com base em uma margem de 4 pontos percentuais.

Um total de 607 participantes foram randomizados; 304 foram designados para o grupo ISL/LEN e 303 para o grupo B/F/TAF. Do total de participantes, 21% eram mulheres, 31% eram negros, 26% eram hispânicos ou latinos e 15% tinham 65 anos de idade ou mais.

Na semana 48, não foram registrados níveis de RNA do HIV1-1 iguais ou superiores a 50 cópias por mililitro em nenhum participante do grupo ISL/LEN, enquanto no grupo B/F/TAF esse nível foi observado em 1 participante (0,3%) (diferença de -0,3 pontos percentuais; intervalo de confiança [IC] de 95,002%: -1,4 a 0,8). Níveis de RNA do HIV1-1 inferiores a 50 cópias por mililitro foram registrados em 284 (93,4%) e 280 (92,4%) participantes, respectivamente (diferença de 1,0 ponto percentual; IC de 95%: -3,2 a 5,2).

A variação média na contagem de células13 T CD4+ na semana 48 foi de -10 células13 por microlitro com ISL/LEN e -18 células13 por microlitro com B/F/TAF (diferença das médias de mínimos quadrados: 12 células13 por microlitro; IC de 95%: -16 a 39).

O regime do estudo foi descontinuado devido a eventos adversos em 6 participantes (2,0%) do grupo ISL/LEN e em 5 (1,7%) do grupo B/F/TAF; eventos adversos graves ocorreram em 16 (5,3%) e 14 (4,6%) participantes, respectivamente.

O estudo concluiu que, entre indivíduos com supressão virológica do HIV1-1, o regime oral de ISL/LEN administrado uma vez por semana não foi inferior ao regime de B/F/TAF administrado uma vez ao dia na manutenção da supressão da carga viral do HIV1.

Veja também sobre "Conhecendo o sistema imunológico14" e "Células13 do sistema imunológico14".

Islatravir/lenacapavir (ISL/LEN) oral de administração semanal versus terapia padrão diária em adultos com HIV1-1 e supressão virológica: resultados da 48ª semana do estudo de fase 3 ISLEND-2

Existe a necessidade de opções de tratamento oral para o HIV1-1 com intervalos de dosagem mais longos, visando melhorar a adesão e os desfechos clínicos em pessoas vivendo com HIV1-1.

O ISLEND-2 é um estudo global, multicêntrico, randomizado11, aberto e de fase 3 para avaliar a não inferioridade. Adultos vivendo com HIV1-1, com supressão virológica e em uso de terapia antirretroviral padrão oral diária, sem histórico de falha virológica prévia, foram randomizados na proporção de 1:1 para mudar para o regime oral de ISL/LEN (2/300 mg) uma vez por semana ou continuar com o tratamento padrão diário, por um período de 96 semanas.

O desfecho primário de eficácia foi a proporção de participantes com RNA do HIV1-1 ≥50 cópias/mL na semana 48 (utilizando o algoritmo snapshot definido pela FDA dos EUA; margem de não inferioridade de 4%). A proporção de participantes com RNA do HIV1-1 <50 cópias/mL, a alteração em relação à linha de base na contagem de células13 T CD4+ e as descontinuações do tratamento com ISL/LEN devido a eventos adversos (EAs) foram desfechos secundários importantes.

626 participantes foram tratados (ISL/LEN: N = 314; tratamento padrão: N = 312); a mediana de idade foi de 52 anos (58% com ≥50 anos; 14% com ≥65 anos), sendo 34% do sexo feminino, 31% negros e 20% hispânicos ou latinos.

Na semana 48, 1 participante (0,3%) do grupo ISL/LEN e 4 participantes (1,3%) do grupo de tratamento padrão apresentaram RNA do HIV1-1 ≥50 cópias/mL (diferença: -1,0%; intervalo de confiança [IC] de 95,002%: -3,0 a 1,1), demonstrando não inferioridade. 299 (95,2%) participantes do grupo ISL/LEN e 298 (95,5%) do grupo de tratamento padrão apresentaram RNA do HIV1-1 <50 cópias/mL (diferença: -0,3%; IC de 95%: -3,9 a 3,2%).

A variação média na contagem de células13 T CD4+ na semana 48 foi de -45 e -8 células13/µL nos grupos ISL/LEN e tratamento padrão, respectivamente (diferença das médias de mínimos quadrados: -31; IC de 95%: -58 a -4), o que potencialmente reflete as contagens basais médias mais elevadas no grupo ISL/LEN (ISL/LEN: 795 células13/µL vs. tratamento padrão: 761 células13/µL), com convergência na semana 48 (750 células13/µL em ambos os grupos). A variação percentual média nas contagens de células13 T CD4+ na semana 48 foi semelhante, com sobreposição dos intervalos de confiança (ISL/LEN: -0,2%; IC de 95%: -4,2 a 3,9; tratamento padrão: 2,4%; IC de 95%: -0,8 a 5,6).

Não houve diferenças entre os grupos nas contagens de linfócitos na semana 48, e nenhum participante descontinuou o tratamento devido à redução na contagem de células13 T CD4+ ou de linfócitos. O regime ISL/LEN foi, de modo geral, bem tolerado. Um participante (0,3%) do grupo ISL/LEN descontinuou o tratamento devido a um evento adverso de hepatite15 B (infecção3 incidente16 em indivíduo não vacinado).

O estudo concluiu que o regime ISL/LEN demonstrou eficácia e boa tolerabilidade, apresentando potencial para ser o primeiro esquema terapêutico completo de comprimido único oral, de administração semanal, para o HIV1-1.

 

Fontes:
The New England Journal do Medicine, publicação em 29 de julho de 2026.
International AIDS Conference, apresentação em 29 de julho de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 30 de julho de 2026.

 

NEWS.MED.BR, 2026. Combinação de medicamentos de administração semanal para HIV controlado corresponde aos regimes diários padrão. Disponível em: <https://news.cxpass.net/p/medical-journal/1514465/combinacao-de-medicamentos-de-administracao-semanal-para-hiv-controlado-corresponde-aos-regimes-diarios-padrao.htm>. Acesso em: 20 set. 2026.

Complementos

1 HIV: Abreviatura em inglês do vírus da imunodeficiência humana. É o agente causador da AIDS.
2 Estudo duplo-cego: Denominamos um estudo clínico “duplo cego†quando tanto voluntários quanto pesquisadores desconhecem a qual grupo de tratamento do estudo os voluntários foram designados. Denominamos um estudo clínico de “simples cego†quando apenas os voluntários desconhecem o grupo ao qual pertencem no estudo.
3 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
4 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
5 Translocação: É uma alteração cromossômica na qual um segmento de cromossomo se destaca e se fixa em outra posição no mesmo cromossomo ou sobre outro cromossomo.
6 Subcutâneo: Feito ou situado sob a pele. Hipodérmico.
7 Injeção: Infiltração de medicação ou nutrientes líquidos no corpo através de uma agulha e seringa.
8 Profilaxia pré-exposição: É uma maneira de as pessoas que não têm o HIV, mas que estão em risco de adquiri-lo, evitarem de contrair o HIV tomando um único comprimido (geralmente uma combinação de dois antirretrovirais) todos os dias. Esta preparação, quando feita de forma consistente, tem demonstrado reduzir o risco de infecção por HIV em indivíduos que estão em risco elevado, mais alto que 92%. Esta forma de prevenção é muito menos eficaz se não for tomada de forma consistente.
9 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
10 Imunodeficiência: Distúrbio do sistema imunológico que se caracteriza por um defeito congênito ou adquirido em um ou vários mecanismos que interferem na defesa normal de um indivíduo perante infecções ou doenças tumorais.
11 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
12 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
13 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
14 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
15 Hepatite: Inflamação do fígado, caracterizada por coloração amarela da pele e mucosas (icterícia), dor na região superior direita do abdome, cansaço generalizado, aumento do tamanho do fígado, etc. Pode ser produzida por múltiplas causas como infecções virais, toxicidade por drogas, doenças imunológicas, etc.
16 Incidente: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
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