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A estimulação elétrica do cérebro humano ativa diferentes programas genéticos em diferentes tipos celulares

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Neurônios1 que antes codificavam as memórias de uma pessoa agora estão ajudando pesquisadores a identificar alvos genéticos que, um dia, poderão auxiliar na preservação da memória e retardar o declínio cognitivo2 em outras pessoas.

Em um estudo publicado na revista Nature, pesquisadores da UCLA Health e do University of Texas Southwestern Medical Center utilizaram amostras reais de tecido3 cerebral humano, doadas por pacientes submetidos a neurocirurgias e mantidas vivas em laboratório por vários dias, para investigar os mecanismos subjacentes à estimulação cerebral profunda.

A estimulação cerebral profunda utiliza impulsos elétricos, transmitidos por meio de implantes cerebrais, para alterar a forma como os neurônios1 se comunicam. Essa técnica tem demonstrado grande potencial no tratamento de diversos transtornos neurológicos e psiquiátricos, como a doença de Parkinson4 e o transtorno obsessivo-compulsivo.

Estudos recentes têm avaliado se a estimulação poderia ajudar a enfrentar o crescente problema do declínio cognitivo2. No entanto, ainda não se compreende bem como essa estimulação afeta os diferentes tipos de células5 cerebrais humanas e quais genes estão envolvidos nesse processo; até o momento, os testes haviam sido realizados apenas em tecidos animais ou cultivados em laboratório.

Testando a estimulação em tecido3 vivo

Acredita-se que este novo estudo seja o primeiro a reproduzir padrões elétricos semelhantes aos da estimulação cerebral profunda em tecido3 cerebral humano vivo, mantido fora do corpo.

Após a aplicação da estimulação elétrica, os pesquisadores observaram que as células5 cerebrais passaram a se comunicar de forma mais sincronizada, um padrão que, acredita-se, auxilia o cérebro6 na formação de memórias. Paralelamente, a equipe analisou como a estimulação alterava a expressão gênica em diferentes tipos de células5 cerebrais, isolando núcleos celulares individuais e registrando a atividade genética de cada tipo de célula7.

Os resultados revelam que tanto os neurônios1 quanto as células5 de suporte não neuronais (como os astrócitos8) ativam programas genéticos específicos em resposta à estimulação. Isso oferece uma nova perspectiva sobre como o cérebro6 humano reage a essas terapias em nível molecular. Padrões semelhantes também foram observados em tecidos de indivíduos que haviam sido submetidos à estimulação cerebral antes da remoção do tecido3, demonstrando que esses efeitos também ocorriam no organismo.

Leia sobre "Neuromodulação - para que serve", "Prevenção do declínio cognitivo2" e "Envelhecimento cerebral normal ou patológico".

Ativação gênica em diferentes tipos celulares

“Não apenas foi um privilégio e um desafio trabalhar com tecido3 cerebral humano vivo doado, como ver esse material revelar genes e tipos celulares subjacentes à plasticidade cerebral humana, apontando-os como novos alvos para terapias futuras, torna o trabalho ainda mais significativo”, afirmou a autora sênior9 do estudo, Genevieve Konopka, chefe do Departamento de Neurobiologia da UCLA Health.

“Ao compreender exatamente quais genes são ativados em quais células5 durante a estimulação, podemos começar a desenvolver abordagens mais precisas para a estimulação cerebral profunda e, potencialmente, complementar essa estratégia clínica com terapias farmacológicas para ajudar a retardar o declínio cognitivo2.”

As amostras de tecido3 cerebral foram obtidas do córtex temporal, localizado nas laterais da camada mais externa do cérebro6, uma região fundamental para a memória e processos cognitivos10 relacionados. Os pesquisadores reconhecem a necessidade de mais estudos para determinar os efeitos moleculares da estimulação a longo prazo, a maneira como as células5 estimuladas afetam as células5 vizinhas e como a terapia impacta regiões mais profundas do cérebro6, cujas amostras são mais difíceis de obter de doadores vivos.

Confira a seguir o resumo do artigo publicado.

A estimulação modula conjuntos celulares associados a genes no cérebro6 humano

A remodelação de circuitos corticais por meio de estimulação representa uma terapia emergente para a restauração da função cognitiva11; no entanto, os mecanismos biológicos subjacentes aos seus efeitos permanecem amplamente inexplorados em humanos.

Neste estudo, para investigar diretamente os mecanismos de neuromodulação desencadeados pela estimulação cerebral humana, desenvolveu-se uma plataforma ex vivo que integra a estimulação via matriz de microeletrodos com o registro simultâneo e a genômica de núcleo único em tecido3 do córtex temporal ressecado de pacientes submetidos a neurocirurgia.

Foi descoberto que a estimulação fortalece conjuntos celulares e esse efeito foi associado a redes de regulação gênica específicas de tipos celulares. Além disso, demonstrou-se a possibilidade de generalização desses achados ao identificar assinaturas comuns de expressão gênica específicas de tipos celulares no córtex humano após estimulação in vivo.

Em conjunto, esses resultados estabelecem uma base para a identificação de assinaturas genéticas associadas à fisiologia12 e passíveis de serem direcionadas, que poderiam ser aproveitadas para fins terapêuticos por meio de estratégias de neuromodulação.

Veja também sobre "O que é neuroplasticidade", "Genética - conceitos básicos" e "Declínio cognitivo2 em idosos".

 

Fontes:
Nature, publicação em 05 de agosto de 2026.
Medical Xpress, notícia publicada em 05 de agosto de 2026.

 

NEWS.MED.BR, 2026. A estimulação elétrica do cérebro humano ativa diferentes programas genéticos em diferentes tipos celulares. Disponível em: <https://news.cxpass.net/p/medical-journal/1514695/a-estimulacao-eletrica-do-cerebro-humano-ativa-diferentes-programas-geneticos-em-diferentes-tipos-celulares.htm>. Acesso em: 20 set. 2026.

Complementos

1 Neurônios: Unidades celulares básicas do tecido nervoso. Cada neurônio é formado por corpo, axônio e dendritos. Sua função é receber, conduzir e transmitir impulsos no SISTEMA NERVOSO. Sinônimos: Células Nervosas
2 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
3 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
4 Doença de Parkinson: Doença degenerativa que afeta uma região específica do cérebro (gânglios da base), e caracteriza-se por tremores em repouso, rigidez ao realizar movimentos, falta de expressão facial e, em casos avançados, demência. Os sintomas podem ser aliviados por medicamentos adequados, mas ainda não se conhece, até o momento, uma cura definitiva.
5 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
6 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
7 Célula: Unidade funcional básica de todo tecido, capaz de se duplicar (porém algumas células muito especializadas, como os neurônios, não conseguem se duplicar), trocar substâncias com o meio externo à célula, etc. Possui subestruturas (organelas) distintas como núcleo, parede celular, membrana celular, mitocôndrias, etc. que são as responsáveis pela sobrevivência da mesma.
8 Astrócitos: Classe de grandes células da neuroglia (macrogliais) no sistema nervoso central (as maiores e mais numerosas células da neuroglia localizadas no cérebro e na medula espinhal). Os astrócitos (células ”estrela”) têm forma irregular, com vários processos longos, incluindo aqueles com ”pés terminais”; estes formam a membrana glial (limitante) e, direta ou indiretamente, contribuem para a BARREIRA HEMATO-ENCEFÁLICA. Regulam o meio extracelular químico e iônico e os ”astrócitos reativos” (junto com a MICROGLIA) respondem a lesão. Barreira Hematoencefálica;
9 Sênior: 1. Que é o mais velho. 2. Diz-se de desportistas que já ganharam primeiros prêmios: um piloto sênior. 3. Diz-se de profissionais experientes que já exercem, há algum tempo, determinada atividade.
10 Cognitivos: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
11 Cognitiva: 1. Relativa ao conhecimento, à cognição. 2. Relativa ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
12 Fisiologia: Estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
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