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Vacina contra o herpes-zóster pode reduzir o risco de AVC e insuficiência cardíaca

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A vacinação contra o herpes-zóster já havia sido associada a um menor risco de doenças cardiovasculares1, mas um estudo recente, publicado na revista Nature Medicine, sugere que pessoas que receberam a versão mais recente da vacina2 têm menos probabilidade de desenvolver condições como acidente vascular cerebral3 (AVC) ou insuficiência cardíaca4 do que indivíduos que receberam uma versão mais antiga do imunizante5. Isso pode ocorrer porque a vacina2 mais recente contém uma substância química que potencializa a resposta imunológica e pode reprogramar as células6 de defesa para provocar menos inflamação7.

Essa mesma vacina2 já foi associada anteriormente a um risco significativamente menor de demência8. “As pessoas devem tomar a vacina2 contra o herpes-zóster não apenas porque ela previne a doença, que, por si só, pode ser muito desagradável e bastante perigosa, mas também porque ela potencialmente oferece proteção contra demência8 e doenças cardíacas”, afirma John Tregoning, do Imperial College London, que não participou do estudo.

O herpes-zóster é uma infecção9 causada pela reativação do vírus10 varicela11-zóster, o mesmo que causa a catapora12. A doença, que provoca uma erupção13 cutânea14 dolorosa passível de infecção9, atinge um terço da população dos EUA pelo menos uma vez na vida.

Em 2025, um estudo associou a vacinação contra o herpes-zóster a um risco reduzido de problemas cardiovasculares; no entanto, essa conclusão se baseava na comparação entre pessoas que optaram por se vacinar e aquelas que não o fizeram. Pessoas vacinadas tendem a ter estilos de vida mais saudáveis de modo geral, o que torna incerto se a vacinação contra o herpes-zóster, por si só, realmente melhora a saúde15 cardiovascular, observou Max Taquet, da Universidade de Oxford, durante uma coletiva de imprensa.

Para investigar essa questão, Taquet e seus colegas aproveitaram o fato de que, em outubro de 2017, a vacina2 padrão contra o herpes-zóster administrada nos EUA mudou de Zostavax para Shingrix. A primeira contém uma versão viva e atenuada do vírus10 varicela11-zóster, enquanto a Shingrix é composta por uma proteína do vírus10 combinada a uma substância química que estimula fortemente a imunidade16, chamada AS01.

Leia sobre "Calendário de Vacinação", "Vacinas - como funcionam e quais são os prós e contras" e "Herpes zóster - como é".

A equipe analisou os prontuários médicos de mais de 72.000 pessoas com 60 anos ou mais; cerca de metade delas recebeu a Zostavax entre abril e setembro de 2017. Quase todos os demais participantes receberam a Shingrix no ano seguinte. Cerca de 3,5 anos após a vacinação, 10,9% dos participantes que receberam a vacina2 Zostavax haviam desenvolvido pelo menos uma de três condições: insuficiência cardíaca4, acidente vascular cerebral3 ou obstrução das artérias17 do coração18. Isso em comparação a 9,6% observados no grupo que recebeu a Shingrix, uma diferença pequena, porém estatisticamente significativa.

“Embora as variações percentuais sejam pequenas, os números absolutos de casos de doenças cardíacas são elevados; portanto, isso pode resultar em um grande número real de pessoas protegidas”, afirma Tregoning.

Esse benefício diminuiu ao longo dos 3,5 anos seguintes, mas permaneceu maior no grupo que recebeu a Shingrix.

Essa é, até o momento, a melhor evidência de que a vacinação contra o herpes-zóster reduz o risco de doenças cardiovasculares1, diz Taquet. “Nosso estudo utiliza um experimento natural que mitiga muitos dos vieses associados a pesquisas observacionais e fornece uma estimativa mais confiável do efeito da Shingrix sobre as doenças cardiovasculares”, afirma ele.

A disponibilização da Shingrix nos EUA, em outubro de 2017, coincidiu com a redução da idade mínima de elegibilidade para a vacina2 contra o herpes-zóster, que passou de 60 para 50 anos. Os pesquisadores estimam que, se todas as pessoas com 50 anos ou mais nos EUA recebessem a Shingrix, isso poderia adiar ou prevenir centenas de milhares de casos de problemas cardiovasculares em um período de dez anos, disse Taquet. Atualmente, apenas cerca de um terço das pessoas elegíveis para a vacina2 a recebem. O Serviço Nacional de Saúde15 (NHS) do Reino Unido a oferece a qualquer pessoa que tenha completado 65 anos em ou após 1º de setembro de 2023.

Ainda não está claro como a Shingrix inibe problemas cardiovasculares, mas pesquisas anteriores sugerem que o componente AS01 reprograma células6 imunológicas conhecidas como monócitos19 para produzirem menos moléculas inflamatórias, chamadas citocinas20, explicou Betty Raman, membro da equipe e também pesquisadora da Universidade de Oxford, durante a coletiva de imprensa. Essas moléculas promovem a obstrução dos vasos sanguíneos21, disse ela.

A Shingrix também previne o herpes-zóster de forma mais eficaz do que a Zostavax, o que pode reduzir ainda mais o risco de problemas cardiovasculares, afirma Tregoning. “Se você contrair uma infecção9 viral, seu corpo sofrerá uma inflamação7, o que sobrecarregará outros órgãos, inclusive o coração”, afirma ele.

Em um estudo em andamento, mais de 160.000 pessoas com 65 anos ou mais na Dinamarca receberão a vacina2 Shingrix ou nenhuma vacina2 contra o herpes-zóster. Isso deve fornecer evidências ainda mais robustas de uma relação de causa e efeito entre a Shingrix e um menor risco tanto de desfechos cardiovasculares quanto de demência8, disse Taquet.

Os resultados iniciais são esperados para 2027. Se forem positivos, a oferta da Shingrix como vacina2 de reforço a cada poucos anos poderia melhorar significativamente a saúde15 cardiovascular e reduzir os custos com assistência médica, afirmou ele.

Confira a seguir o resumo do artigo publicado.

Vacinação recombinante contra herpes-zóster e o risco de eventos cardiovasculares

A vacina2 recombinante contra herpes-zóster pode reduzir os riscos de doença cardiovascular. No entanto, estudos existentes compararam indivíduos vacinados com não vacinados e, portanto, estão sujeitos a fatores de confusão. Para mitigar22 esses vieses, foi conduzido um experimento natural gerado pela rápida transição da vacina2 de vírus10 vivo atenuado para a vacina2 recombinante contra herpes-zóster nos Estados Unidos.

Comparou-se as incidências de um desfecho cardiovascular composto (doença cardíaca isquêmica, insuficiência cardíaca4 ou acidente vascular cerebral3 isquêmico23) entre adultos com 60 anos ou mais vacinados imediatamente antes e imediatamente após essa transição.

A vacina2 recombinante foi associada a uma redução de 9% na carga de doenças cardiovasculares1 ao longo de 7 anos (razão do tempo médio restrito perdido [RMTL] = 0,91; intervalo de confiança [IC] de 95%: 0,88-0,95). A associação atenuou-se com o tempo e mostrou-se significativa para doença cardíaca isquêmica (redução de 10% na carga; razão do RMTL = 0,90; IC de 95%: 0,87-0,94) e insuficiência cardíaca4 (redução de 12% na carga; razão do RMTL = 0,88; IC de 95%: 0,83-0,93) em ambos os sexos, e para acidente vascular cerebral3 isquêmico23 em homens (redução de 12%; razão do RMTL = 0,88; IC de 95%: 0,78-0,98).

Também foi observada associação com fibrilação atrial (redução de 7% na carga; RMTL = 0,93; IC de 95%: 0,88-0,98), mas não com outros desfechos cardíacos, periféricos ou cerebrovasculares. Os resultados foram consistentes em análises secundárias.

Esses resultados justificam a realização de ensaios clínicos24 e estudos mecanísticos para investigar possíveis efeitos cardioprotetores das vacinas contra herpes-zóster.

Veja também sobre "Doenças cardiovasculares1 - o que são", "Catapora12 ou varicela11: como evitar" e "Neuralgia25 pós-herpética".

 

Fontes:
Nature Medicine, publicação em 26 de agosto de 2026.
New Scientist, notícia publicada em 26 de agosto de 2026.

 

NEWS.MED.BR, 2026. Vacina contra o herpes-zóster pode reduzir o risco de AVC e insuficiência cardíaca. Disponível em: <https://news.cxpass.net/p/medical-journal/1515325/vacina-contra-o-herpes-zoster-pode-reduzir-o-risco-de-avc-e-insuficiencia-cardiaca.htm>. Acesso em: 27 set. 2026.

Complementos

1 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
2 Vacina: Tratamento à base de bactérias, vírus vivos atenuados ou seus produtos celulares, que têm o objetivo de produzir uma imunização ativa no organismo para uma determinada infecção.
3 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
4 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
5 Imunizante: Que ou o que imuniza; que faz ficar imune ou refratário a um agente patogênico ou a uma moléstia infecciosa.
6 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
7 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
8 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
9 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
10 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
11 Varicela: Doença viral freqüente na infância e caracterizada pela presença de febre e comprometimento do estado geral juntamente com a aparição característica de lesões que têm vários estágios. Primeiro são pequenas manchas avermelhadas, a seguir formam-se pequenas bolhas que finalmente rompem-se deixando uma crosta. É contagiosa, mas normalmente não traz maiores conseqüências à criança. As bolhas e suas crostas, se não sofrerem infecção secundária, não deixam cicatriz.
12 Catapora: Doença infecciosa aguda, comum na infância, também chamada de varicela. Ela é provocada por vírus e caracterizada por febre e erupção maculopapular rápida, seguida de erupção de vesículas eritematosas muito pruriginosas.
13 Erupção: 1. Ato, processo ou efeito de irromper. 2. Aumento rápido do brilho de uma estrela ou de pequena região da atmosfera solar. 3. Aparecimento de lesões de natureza inflamatória ou infecciosa, geralmente múltiplas, na pele e mucosas, provocadas por vírus, bactérias, intoxicações, etc. 4. Emissão de materiais magmáticos por um vulcão (lava, cinzas etc.).
14 Cutânea: Que diz respeito à pele, à cútis.
15 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
16 Imunidade: Capacidade que um indivíduo tem de defender-se perante uma agressão bacteriana, viral ou perante qualquer tecido anormal (tumores, enxertos, etc.).
17 Artérias: Os vasos que transportam sangue para fora do coração.
18 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
19 Monócitos: É um tipo de leucócito mononuclear fagocitário, que se forma na medula óssea e é posteriormente transportado para os tecidos, onde se desenvolve em macrófagos.
20 Citocinas: Citoquina ou citocina é a designação genérica de certas substâncias segregadas por células do sistema imunitário que controlam as reações imunes do organismo.
21 Vasos Sanguíneos: Qualquer vaso tubular que transporta o sangue (artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias).
22 Mitigar: Tornar mais brando, mais suave, menos intenso (geralmente referindo-se à dor ou ao sofrimento); aliviar, suavizar, aplacar.
23 Isquêmico: Relativo à ou provocado pela isquemia, que é a diminuição ou suspensão da irrigação sanguínea, numa parte do organismo, ocasionada por obstrução arterial ou por vasoconstrição.
24 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
25 Neuralgia: Dor aguda produzida pela irritação de um nervo. Caracteriza-se por ser muito intensa, em queimação, pulsátil ou semelhante a uma descarga elétrica. Suas causas mais freqüentes são infecção, lesão metabólica ou tóxica do nervo comprometido.
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