ACOG reforça apoio à remoção das trompas de Falópio para prevenir o câncer de ovário
Ginecologistas e obstetras devem remover rotineiramente as tubas uterinas durante a histerectomia1 e recomendar a salpingectomia bilateral oportunística (SBO) a pacientes submetidas a outros procedimentos cirúrgicos, de acordo com uma atualização de prática clínica do American College of Obstetricians & Gynecologists (ACOG).
Publicada na revista Obstetrics and Gynecology, essa atualização reforça o apoio do ACOG à SBO, procedimento que conta com uma sólida base de evidências. Dados de diversos estudos demonstraram que a remoção das tubas uterinas é segura e pode reduzir em até 78% o risco de câncer2 de ovário3 da paciente ao longo da vida.
“As diretrizes atualizadas do ACOG representam as recomendações mais contundentes até o momento em prol do acesso das pacientes à salpingectomia para reduzir o risco de câncer2 de ovário3 ao longo da vida”, afirmou o Dr. David Shalowitz, diretor de assistência oncológica da Corewell Health em Grand Rapids, Michigan, EUA, e coautor da atualização das diretrizes, em um comunicado à imprensa do ACOG. “Obstetras e ginecologistas têm a oportunidade de empoderar as pacientes por meio da educação, da prática baseada em evidências e da colaboração com outros especialistas médicos e cirúrgicos. No momento, a salpingectomia é a maneira mais segura e eficaz de prevenir essa doença letal.”
Um estudo recente realizado no Canadá, envolvendo mais de 80.000 pacientes, mostrou que mulheres submetidas à salpingectomia bilateral no momento da histerectomia1 apresentaram um risco quase 80% menor de desenvolver carcinoma4 seroso de ovário3 em comparação com aquelas submetidas apenas à histerectomia1. Além disso, seis de 26 casos (23,1%) foram identificados como carcinoma4 seroso de alto grau do ovário3, em comparação com 642 de 942 casos (68,1%) em um grupo de controle histórico.
“Temos bons dados para embasar a SBO, e é surpreendente que o procedimento não seja tão conhecido”, disse a Dra. Karen Lu, do Moffitt Cancer2 Center em Tampa, Flórida, EUA, ao comentar o estudo na época de sua publicação. Embora o estudo canadense tenha envolvido uma população um pouco mais jovem do que a paciente típica com câncer2 de ovário3, “trata-se de um conjunto de informações que reforça que dispomos de dados suficientes para recomendar a salpingectomia bilateral oportunística para mulheres submetidas a procedimentos ginecológicos e até mesmo para aquelas submetidas a outras cirurgias abdominais ou pélvicas5 não ginecológicas”.
Leia sobre "Distúrbios das trompas de Falópio", "Histerectomia1 ou retirada do útero6: o que é", "Riscos e benefícios da retirada dos ovários7" e "O que é câncer2 de ovário3".
Em consonância com o estudo canadense, a Sociedade Europeia de Oncologia Ginecológica publicou um consenso apoiando a salpingectomia bilateral oportunística para a prevenção do câncer2 de ovário3. Após analisar 129 artigos publicados, o painel de especialistas concluiu que “as evidências existentes demonstram que a salpingectomia oportunística está significativamente associada a um menor risco de desenvolvimento de carcinoma4 tubo-ovariano. Os médicos devem incluir essa medida preventiva no aconselhamento pré-operatório de mulheres elegíveis”.
Corroborando a observação de Lu sobre a falta de reconhecimento dos benefícios da SBO, um estudo publicado em 2025 mostrou que um quarto de 2.000 mulheres com câncer2 de ovário3 tiveram “oportunidades perdidas” de realizar a SBO para redução de risco quando passaram por cirurgias de contracepção8 definitiva ou procedimentos abdominopélvicos antes do diagnóstico9 do câncer2. Além disso, 6% das pacientes tinham um parente de primeiro grau com câncer2 de ovário3; entre essas, constatou-se que 43,2% possuíam suscetibilidade genética para a doença, a qual só foi descoberta após o diagnóstico9 do câncer2.
Além de recomendar a SBO de rotina durante a histerectomia1, as diretrizes atualizadas do ACOG:
- Incentivam os médicos a recomendar a SBO a pacientes que não desejam engravidar no futuro e que serão submetidas a cirurgias ginecológicas com acesso à cavidade peritoneal10 que não sejam histerectomias.
- Recomendam que ginecologistas e obstetras considerem a realização bem-sucedida da salpingectomia ao aconselhar pacientes sobre possíveis abordagens cirúrgicas, enfatizando os princípios do consentimento informado e da tomada de decisão compartilhada.
- Ressaltam que a salpingectomia bilateral é o procedimento de escolha para pacientes11 que buscam contracepção8 definitiva.
- Destacam a importância da colaboração entre especialidades para reduzir o risco de câncer2 de ovário3, observando que cirurgias abdominais ou pélvicas5 não ginecológicas podem oferecer oportunidades para a realização de salpingectomia bilateral redutora de risco, com risco cirúrgico adicional mínimo.
“Por ter cuidado de muitas mulheres com câncer2 de ovário3, compreendo profundamente o enorme impacto que cirurgias complexas e múltiplas etapas de quimioterapia12 intensiva podem causar nas pacientes e em seus entes queridos”, afirmou a CEO do ACOG, Dra. Sandra E. Brooks, em comunicado à imprensa da instituição. “Embora os avanços no tratamento tenham ajudado as pacientes a viver mais, a mortalidade13 por câncer2 de ovário3 permanece elevada. A salpingectomia representa uma oportunidade significativa de reduzir o risco de uma pessoa vir a enfrentar essa doença desafiadora.”
Acesse a atualização de prática clínica na íntegra:
Atualização da Prática Clínica do ACOG: Salpingectomia para a Prevenção do Câncer2 Epitelial de Ovário3
Fontes:
Obstetrics & Gynecology, Vol. 128, Nº 4, em outubro de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 20 de agosto de 2026.










