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Intervenção liderada pelos pais, iniciada na UTI neonatal, melhorou a função executiva na idade escolar

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Uma intervenção de desenvolvimento liderada pelos pais, iniciada na unidade de terapia intensiva1 neonatal (UTIN) e continuada durante os dois primeiros anos de vida, auxiliou a função executiva2 em crianças muito prematuras, conforme demonstrou uma análise secundária de um ensaio clínico randomizado3 realizado no Brasil, com resultados publicados no JAMA Pediatrics.

Pontuações medianas significativamente melhores na escala de função executiva2 (que variava de 1 a 19, com pontuações mais altas indicando melhor desempenho) foram observadas em 80 crianças em idade escolar para os quatro desfechos primários de atenção auditiva, inibição, fluência em desenhos e persistência motora (subteste de postura estática), com a intervenção comparada ao atendimento padrão (pontuações medianas de 12 a 14 vs. 2 a 9, r = 0,44 a 0,77, todos p <0,001), relataram Rita Silveira, MD, PhD, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, no Brasil, e seus colegas.

Os resultados permaneceram significativos após a correção de Bonferroni para controlar a taxa de erro familiar entre os desfechos primários (p <0,0125), indicando tamanhos de efeito de moderados a grandes.

“Bebês muito prematuros apresentam maior risco de desafios de neurodesenvolvimento a longo prazo, incluindo dificuldades nas funções executivas que frequentemente se tornam mais evidentes na idade escolar”, disse Silveira. “Embora os programas de intervenção precoce sejam amplamente recomendados, há poucas evidências sobre os resultados cognitivos4 e executivos a longo prazo de intervenções lideradas pelos pais e iniciadas na UTI neonatal. Esta análise secundária ajuda a preencher uma lacuna importante, examinando5 se os benefícios de uma intervenção precoce, centrada nos pais, se estendem à infância tardia, especificamente no domínio das funções executivas.”

Leia sobre "Desenvolvimento infantil" e "Atrasos do desenvolvimento".

Em uma coorte6 brasileira de pais de baixa condição socioeconômica, Silveira e colegas descobriram anteriormente que uma intervenção guiada pelos pais para apoiar o neurodesenvolvimento de bebês7 muito prematuros, iniciada na UTI neonatal e continuada até os 18 meses de idade, resultou em pontuações mais altas nos domínios cognitivos4, motores e de linguagem aos 18 meses de idade corrigida, em comparação com o atendimento padrão. A intervenção liderada pelos pais incluiu estimulação visual aprimorada, estimulação auditiva, interação social e apoio ao desenvolvimento motor, com instruções de terapeutas do desenvolvimento.

“Para os profissionais de saúde8, os resultados da presente análise secundária destacam o valor potencial do envolvimento dos pais como parceiros ativos na intervenção precoce, em vez de depender exclusivamente de modelos clínicos ou conduzidos por terapeutas”, disse Silveira. “Para os pais, as descobertas podem ser reconfortantes, sugerindo que interações guiadas e informadas sobre o desenvolvimento infantil no início da vida podem ter associações significativas com habilidades cognitivas posteriores. É importante ressaltar que essas intervenções são relativamente de baixo custo e escaláveis, o que tem implicações para os sistemas de saúde8 que visam apoiar bebês7 prematuros e suas famílias.”

No artigo publicado, os pesquisadores relatam que crianças nascidas muito prematuras ou com muito baixo peso ao nascer apresentam maior risco de déficits na função executiva2, afetando a atenção, a autorregulação e a resolução de problemas. Intervenções precoces no desenvolvimento têm demonstrado benefícios potenciais, mas seu efeito a longo prazo sobre a função executiva2 permanece incerto.

O objetivo deste estudo, portanto, foi avaliar se uma intervenção de desenvolvimento aprimorada (IDA), iniciada na unidade de terapia intensiva1 neonatal (UTIN) e continuada em casa durante os primeiros 2 anos de vida, melhora a função executiva2 na idade escolar em crianças muito prematuras.

Esta análise secundária avaliou os desfechos na idade escolar de um ensaio clínico randomizado3 com bebês7 nascidos com menos de 32 semanas de gestação ou com peso ao nascer inferior a 1500 g, entre janeiro de 2016 e fevereiro de 2019. As avaliações de acompanhamento foram realizadas de 7 de julho de 2023 a 16 de agosto de 2024, em um único centro em Porto Alegre, Brasil. As análises de dados foram concluídas de agosto a dezembro de 2024. Comparou-se a IDA ao atendimento padrão.

Os desfechos primários foram as pontuações padronizadas dos subtestes da Avaliação Neuropsicológica do Desenvolvimento, Segunda Edição, que mede atenção auditiva, inibição, fluência em desenhos e persistência motora. O examinador desconhecia a alocação dos grupos. Os prontuários médicos identificaram crianças com condições de neurodesenvolvimento que impediram a avaliação formal. O tamanho do efeito para as comparações pelo teste U de Mann-Whitney foi calculado usando a correlação bisserial de postos (rank-biserial correlation). A regressão logística binária foi usada para comparar o desempenho nos desfechos primários. Análises de sensibilidade foram usadas para aqueles perdidos no acompanhamento.

Do ensaio clínico randomizado3 original, 80 crianças (96% das elegíveis) foram avaliadas com uma idade média (DP) de 7 (1) anos; 34 crianças (43%) eram do sexo feminino. As características basais foram semelhantes entre os grupos.

Na análise primária das pontuações escalonadas medianas, as crianças que receberam IDA demonstraram um desempenho significativamente melhor em todos os 4 domínios da função executiva2 em comparação com o atendimento usual (pontuações medianas, 12-14 vs 2-9; r = 0,44-0,77; todos P <0,001).

Todos os resultados permaneceram significativos após a correção de Bonferroni (P <0,0125), indicando tamanhos de efeito de moderados a grandes. Na análise secundária da classificação de desempenho, a IDA foi associada a maiores chances de desempenho esperado na fluência em desenhos (razão de chances, 11,3; IC 95%, 4,08-31,7; P <0,001). Nenhuma diferença estatisticamente significativa foi observada para os 3 domínios restantes.

Nesta análise secundária de um ensaio clínico randomizado3, a intervenção de desenvolvimento aprimorada precoce, iniciada na UTI neonatal e estendida até os primeiros 2 anos, contribuiu para melhorias sustentadas na função executiva2 em crianças muito prematuras. Essas descobertas corroboram os benefícios de neurodesenvolvimento a longo prazo da intervenção precoce, com potenciais implicações para o desempenho acadêmico e socioemocional de crianças de famílias de baixa e média rendas.

Veja também sobre "Prematuridade e os cuidados necessários com os prematuros" e "Baixo peso ao nascer: causas e consequências".

 

Fontes:
JAMA Pediatrics, publicação em 20 de janeiro de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 20 de janeiro de 2026.

 

NEWS.MED.BR, 2026. Intervenção liderada pelos pais, iniciada na UTI neonatal, melhorou a função executiva na idade escolar. Disponível em: <https://news.cxpass.net/p/medical-journal/1499570/intervencao-liderada-pelos-pais-iniciada-na-uti-neonatal-melhorou-a-funcao-executiva-na-idade-escolar.htm>. Acesso em: 21 ago. 2026.

Complementos

1 Terapia intensiva: Tratamento para diabetes no qual os níveis de glicose são mantidos o mais próximo do normal possível através de injeções freqüentes ou uso de bomba de insulina, planejamento das refeições, ajuste em medicamentos hipoglicemiantes e exercícios baseados nos resultados de testes de glicose além de contatos freqüentes entre o diabético e o profissional de saúde.
2 Função executiva: Também conhecida como controle cognitivo ou sistema supervisor atencional é um conceito neuropsicológico que se aplica ao processo cognitivo responsável pelo planejamento e execução de atividades, que podem incluir, por exemplo, a iniciação de tarefas, memória de trabalho, atenção sustentada e inibição de impulsos.
3 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
4 Cognitivos: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
5 Examinando: 1. O que será ou está sendo examinado. 2. Candidato que se apresenta para ser examinado com o fim de obter grau, licença, etc., caso seja aprovado no exame.
6 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
7 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
8 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
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