Gostou do artigo? Compartilhe!

Teste arriscado não é necessário para implantes de CDI subcutâneo

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notícia

Pacientes que receberam um cardioversor-desfibrilador implantável subcutâneo1 (S-CDI) não apresentaram problemas ao dispensar o teste de desfibrilação, segundo o ensaio randomizado2 PRAETORIAN-DFT.

Entre os participantes randomizados para implante3 de S-CDI pela primeira vez, a falha no primeiro choque4 para arritmias5 ventriculares espontâneas (um indicador de desfibrilação ineficaz) foi menos frequente naqueles que não realizaram o teste de desfibrilação, com orientação pelo escore PRAETORIAN, um preditor de resultados de desfibrilação baseado em radiografias de tórax6, em comparação com aqueles que realizaram o teste de desfibrilação (1,7% vs. 2,3%, p <0,001).

Os pacientes orientados pelo escore PRAETORIAN também não apresentaram aumento na mortalidade7 por todas as causas (HR 0,9, IC 95% 0,6-1,4) ou morte arrítmica (HR 0,4, IC 95% 0,04-3,4) durante um acompanhamento de mais de 3 anos, relataram Reinoud Knops, MD, PhD, do Centro Médico da Universidade de Amsterdã, e seus colegas.

O estudo foi apresentado na reunião anual da Heart Rhythm Society, realizada em Chicago, EUA. O artigo completo foi publicado na revista Circulation.

“A omissão do teste de desfibrilação após o implante3 de S-CDI, guiada pelo escore PRAETORIAN, não aumentou o risco de falha no primeiro choque4 para arritmias5 ventriculares espontâneas e reduziu o risco do procedimento sem aumentar as revisões do S-CDI”, relataram os autores do estudo.

“Este é o primeiro ensaio clínico randomizado2 comparativo a demonstrar que o implante3 de S-CDI sem teste de desfibrilação, orientado pelo escore PRAETORIAN, não compromete a eficácia do S-CDI a longo prazo e não é inferior ao implante3 com teste de desfibrilação”, concluíram Knops e seus colegas.

Leia sobre "Fibrilação ventricular" e "Diferenças entre desfibrilador e cardioversor".

O escore PRAETORIAN é um teste não invasivo que atribui uma pontuação de 30 a 900, que pode ser interpretada como baixo risco (<90 pontos), risco intermediário (90-149 pontos) e alto risco (150 pontos ou mais). Este escore foi validado, para uma pontuação <90, como preditor de sucesso no teste de desfibrilação.

O escore foi desenvolvido como uma alternativa ao teste de desfibrilação para avaliar se o posicionamento do CDI é ideal para uma terapia de choque4 eficaz.

O teste de desfibrilação já caiu em desuso para o implante3 de CDI transvenoso (TV) devido ao ônus adicional do procedimento, à necessidade de anestesia8 e ao risco evidente de complicações graves.

Apesar disso, as diretrizes atuais ainda recomendam o teste de desfibrilação para implantes de CDI subcutâneo1. “Como o S-CDI é totalmente subcutâneo1 e a desfibrilação eficaz por ele depende de critérios específicos para o posicionamento do implante3, os resultados do teste de desfibrilação para CDI transvenoso não podem ser extrapolados para o teste de desfibrilação para S-CDI”, explicaram Knops e seus colegas.

Portanto, foi reconfortante que a omissão do teste de desfibrilação não tenha aumentado o risco de terapia ineficaz não reconhecida com o CDI no estudo PRAETORIAN-DFT.

Além disso, as complicações em 30 dias foram significativamente menores no grupo sem teste em comparação com o grupo com teste de desfibrilação (1,7% vs. 4,8%, HR 0,34, IC 95% 0,15-0,77), devido a diferenças na fibrilação ventricular refratária, internação não planejada em unidade de terapia intensiva9 e descompensação cardíaca, de acordo com os pesquisadores.

No entanto, eles alertaram que uma abordagem individualizada continua a ser necessária, particularmente em pacientes com pontuações PRAETORIAN ≥90, que representavam uma pequena minoria no estudo.

Confira a seguir o resumo do artigo publicado.

Implantação de desfibrilador subcutâneo1 com ou sem teste de desfibrilação: os resultados primários do estudo randomizado10 PRAETORIAN-DFT

Para melhorar a sobrevida11 em pacientes com risco de morte súbita cardíaca, os CDI subcutâneos (S-CDI) requerem posicionamento ideal do implante3 para choques eficazes. O teste de desfibrilação é recomendado, mas acarreta riscos sérios. O escore PRAETORIAN prevê os resultados da desfibrilação com base em radiografias de tórax6.

O estudo PRAETORIAN-DFT avaliou se a omissão do teste de desfibrilação, guiada pelo escore PRAETORIAN, é não inferior em termos de eficácia do primeiro choque4.

Neste estudo multinacional, pacientes com S-CDI de 37 centros foram randomizados para realizar ou não o teste de desfibrilação. No grupo sem teste de desfibrilação, o escore PRAETORIAN foi avaliado antes da alta hospitalar.

O desfecho primário foi a falha no primeiro choque4 para arritmias5 ventriculares espontâneas, como um indicador de sucesso da desfibrilação, testado quanto à não inferioridade com uma margem de risco absoluto de 3%. Os desfechos secundários incluíram mortalidade7, potenciais complicações relacionadas ao teste de desfibrilação e revisões do S-CDI.

Os 965 pacientes incluídos (sem teste de desfibrilação, n = 483; com teste de desfibrilação, n = 482) foram acompanhados por uma mediana de 41 meses. A falha no primeiro choque4 para arritmia12 ventricular espontânea ocorreu em 1,7% do grupo sem teste de desfibrilação versus 2,3% do grupo com teste de desfibrilação (-0,6%, IC 95% [-2,6 a 1,4]; p <0,001).

Não houve diferenças significativas na mortalidade7 por todas as causas (HR 0,9 [IC 95% 0,6-1,4]) ou morte arrítmica (HR 0,4 [IC 95% 0,04-3,4]).

Complicações potenciais relacionadas ao teste de desfibrilação ocorreram em 1,7% do grupo com teste de desfibrilação. As revisões pós-operatórias do S-CDI devido ao posicionamento inadequado foram idênticas entre os grupos (n = 2 em cada).

O estudo concluiu que a omissão do teste de desfibrilação guiada pelo escore PRAETORIAN após o implante3 de S-CDI não aumentou o risco de falha no primeiro choque4 para arritmias5 ventriculares espontâneas e reduziu o risco do procedimento sem aumentar as revisões do S-CDI.

Veja também sobre "Arritmias5 cardíacas benignas e malignas", "Marcapasso13 sem fio" e "Estudo eletrofisiológico do coração14".

 

Fontes:
Circulation, publicação em 25 de abril de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 30 de abri, de 2026.

 

NEWS.MED.BR, 2026. Teste arriscado não é necessário para implantes de CDI subcutâneo. Disponível em: <https://news.cxpass.net/p/medical-journal/1507025/teste-arriscado-nao-e-necessario-para-implantes-de-cdi-subcutaneo.htm>. Acesso em: 21 ago. 2026.

Complementos

1 Subcutâneo: Feito ou situado sob a pele. Hipodérmico.
2 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
3 Implante: 1. Em cirurgia e odontologia é o material retirado do próprio indivíduo, de outrem ou artificialmente elaborado que é inserido ou enxertado em uma estrutura orgânica, de modo a fazer parte integrante dela. 2. Na medicina, é qualquer material natural ou artificial inserido ou enxertado no organismo. 3. Em patologia, é uma célula ou fragmento de tecido, especialmente de tumores, que migra para outro local do organismo, com subsequente crescimento.
4 Choque: 1. Estado de insuficiência circulatória a nível celular, produzido por hemorragias graves, sepse, reações alérgicas graves, etc. Pode ocasionar lesão celular irreversível se a hipóxia persistir por tempo suficiente. 2. Encontro violento, com impacto ou abalo brusco, entre dois corpos. Colisão ou concussão. 3. Perturbação brusca no equilíbrio mental ou emocional. Abalo psíquico devido a uma causa externa.
5 Arritmias: Arritmia cardíaca é o nome dado a diversas perturbações que alteram a frequência ou o ritmo dos batimentos cardíacos.
6 Tórax: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original Sinônimos: Peito; Caixa Torácica
7 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
8 Anestesia: Diminuição parcial ou total da sensibilidade dolorosa. Pode ser induzida por diferentes medicamentos ou ser parte de uma doença neurológica.
9 Terapia intensiva: Tratamento para diabetes no qual os níveis de glicose são mantidos o mais próximo do normal possível através de injeções freqüentes ou uso de bomba de insulina, planejamento das refeições, ajuste em medicamentos hipoglicemiantes e exercícios baseados nos resultados de testes de glicose além de contatos freqüentes entre o diabético e o profissional de saúde.
10 Estudo randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle - o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
11 Sobrevida: Prolongamento da vida além de certo limite; prolongamento da existência além da morte, vida futura.
12 Arritmia: Arritmia cardíaca é o nome dado a diversas perturbações que alteram a frequência ou o ritmo dos batimentos cardíacos.
13 Marcapasso: Dispositivo eletrônico utilizado para proporcionar um estímulo elétrico periódico para excitar o músculo cardíaco em algumas arritmias do coração. Em geral são implantados sob a pele do tórax.
14 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
Gostou do artigo? Compartilhe!