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Alterações cerebrais foram associadas a alimentos ultraprocessados, mesmo em dietas saudáveis

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Uma análise de dados transversais na Austrália sugeriu que pessoas que incluíam mais alimentos ultraprocessados – como batatas chips, barras de chocolate, refeições congeladas, cereais açucarados ou refrigerantes – em uma dieta que, de outra forma, seria saudável, apresentavam piores resultados em testes de atenção e maior risco de demência1.

Cada aumento de 10% na ingestão de alimentos ultraprocessados foi associado a uma diminuição de 0,05 ponto (IC 95% -0,09 a -0,01, p = 0,012) nos escores compostos de atenção entre adultos com 40 anos ou mais, relataram Barbara Cardoso, PhD, da Universidade Monash em Notting Hill, Austrália, e seus coautores, em estudo publicado na revista Alzheimer2's & Dementia: Diagnosis, Assessment & Disease Monitoring.

Para cada aumento de 10% no consumo de alimentos ultraprocessados, o risco de demência1 aumentou em 0,24 pontos (IC 95% 0,16-0,32, P <0,001) na escala CAIDE modificada (Fatores de Risco Cardiovascular, Envelhecimento e Incidência3 de Demência1), uma ferramenta criada para estimar o risco a longo prazo de uma pessoa de meia-idade desenvolver demência1.

As relações persistiram mesmo em pessoas que seguiam uma dieta mediterrânea4.

Um aumento de 10% na ingestão de alimentos ultraprocessados corresponde a aproximadamente 150 g/dia, o equivalente a um pacote padrão de batatas chips, observaram Cardoso e seus colegas.

“Para cada aumento de 10% no consumo de alimentos ultraprocessados, observamos uma queda distinta e mensurável na capacidade de concentração da pessoa”, disse Cardoso em um comunicado. “Em termos clínicos, isso se traduziu em pontuações consistentemente mais baixas em testes cognitivos5 padronizados que medem a atenção visual e a velocidade de processamento.”

Saiba mais sobre "Alimentos ultraprocessados: quais são os efeitos para a saúde6", "O que é uma alimentação saudável" e "Prevenção do declínio cognitivo7".

As descobertas indicam que o processamento de alimentos propriamente pode influenciar a saúde6 cognitiva8 além da simples substituição de nutrientes, observou ela. O ultraprocessamento de alimentos frequentemente destrói a estrutura natural dos alimentos e introduz substâncias potencialmente nocivas, ressaltou.

“Demonstramos que a associação entre alimentos ultraprocessados e atenção não está relacionada à qualidade da dieta, o que reforça a noção de que o processamento de alimentos, por si só, é um fator na associação entre dieta e saúde6 cognitiva”, disse Cardoso.

Neste estudo, os pesquisadores não encontraram nenhuma ligação significativa entre o consumo de alimentos ultraprocessados ​​e a memória. “Considerando que a atenção é fundamental para muitas operações cognitivas, como aprendizado, resolução de problemas e formação de memória, é plausível que distúrbios precoces de atenção possam preceder comprometimentos cognitivos5 mais amplos", escreveram. "No entanto, as evidências ainda são inconclusivas e mais pesquisas são necessárias para esclarecer a dinâmica temporal dessas associações.”

Pesquisas anteriores associaram alimentos ultraprocessados ao risco de demência1, indicando que a substituição desses alimentos por alternativas não processadas ou minimamente processadas pode reduzir esse risco. Outros estudos mostraram que pessoas que consumiam mais alimentos ultraprocessados na meia-idade apresentavam taxas mais rápidas de declínio cognitivo7.

Estima-se que, nos Estados Unidos, os alimentos ultraprocessados representem 60% da dieta da população. No Brasil, segundo pesquisas da USP, o consumo mais que dobrou desde os anos 1980, passando de 10% para 23%. Eles têm sido associados ao câncer9 de cólon10 precoce, mortalidade11 cardiovascular e por todas as causas, câncer9 de pulmão12 e outros desfechos adversos à saúde6, mesmo em crianças pequenas.

Confira a seguir o resumo do artigo publicado por Cardoso e equipe.

Consumo de alimentos ultraprocessados, função cognitiva8 e risco de demência1: um estudo transversal com adultos australianos de meia-idade e idosos

O consumo de alimentos ultraprocessados (AUP) está associado a mais de 30 desfechos adversos à saúde6, incluindo diversos fatores de risco para demência1, como doenças cardiovasculares13, diabetes tipo 214 e obesidade15.

O objetivo deste estudo foi examinar a associação entre o consumo de AUP e o desempenho cognitivo16 e os escores de risco de demência1, e se essas associações são independentes da qualidade geral da dieta.

Esta análise transversal avaliou 2.192 adultos australianos sem demência1, com idades entre 40 e 70 anos. A dieta foi avaliada por meio de um questionário de frequência alimentar validado e classificada de acordo com o sistema Nova. A função cognitiva8 foi medida utilizando a Bateria Breve Cogstate e o risco de demência1 foi estimado com a ferramenta CAIDE.

Cada aumento de 10% no consumo de AUP foi associado a escores de atenção mais baixos (-0,05 pontos) e maior risco de demência1 (+0,24 pontos), independentemente da adesão à dieta mediterrânea4.

O estudo concluiu que um maior consumo de alimentos ultraprocessados está associado a menor atenção e maior risco de demência1 modificável, independentemente da qualidade geral da dieta.

Leia sobre "O alarmante avanço do diabetes tipo 214 no Brasil", "10 mitos nutricionais que precisam ser abandonados" e "Envelhecimento cerebral normal ou patológico".

 

Fontes:
Alzheimer2's & Dementia: Diagnosis, Assessment & Disease Monitoring, publicação em 23 de abril de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 01 de maio de 2026.

 

NEWS.MED.BR, 2026. Alterações cerebrais foram associadas a alimentos ultraprocessados, mesmo em dietas saudáveis. Disponível em: <https://news.cxpass.net/p/medical-journal/1506465/alteracoes-cerebrais-foram-associadas-a-alimentos-ultraprocessados-mesmo-em-dietas-saudaveis.htm>. Acesso em: 20 ago. 2026.

Complementos

1 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
2 Alzheimer: Doença degenerativa crônica que produz uma deterioração insidiosa e progressiva das funções intelectuais superiores. É uma das causas mais freqüentes de demência. Geralmente começa a partir dos 50 anos de idade e tem incidência similar entre homens e mulheres.
3 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
4 Dieta Mediterrânea: Alimentação rica em carboidratos, fibras, elevado consumo de verduras, legumes e frutas (frescas e secas) e pobre em ácidos graxos saturados. É recomendada uma ingestão maior de gordura monoinsaturada em decorrência da grande utilização do azeite de oliva. Além de vinho.
5 Cognitivos: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
6 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
7 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
8 Cognitiva: 1. Relativa ao conhecimento, à cognição. 2. Relativa ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
9 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
10 Cólon:
11 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
12 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
13 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
14 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
15 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
16 Desempenho cognitivo: Desempenho dos processos de aprendizagem e de aquisição de conhecimento através da percepção.
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