Medicamento GLP-1 demonstra potencial para o tratamento da psoríase em placas
A adição de um agonista1 duplo dos receptores GLP-1/GIP ao medicamento para psoríase2 ixequizumabe (Taltz) melhorou significativamente os resultados em adultos com psoríase2 em placas3 de difícil tratamento devido ao sobrepeso4 ou à obesidade5, conforme indicado pelo estudo aberto TOGETHER-PsO, com resultados publicados no JAMA Dermatology.
Após 36 semanas no estudo de fase IIIb, 27,1% dos pacientes randomizados para ixequizumabe mais tirzepatida (Zepbound) atingiram o desfecho primário – um composto de remissão completa das lesões6 cutâneas7 e redução de pelo menos 10% do peso – em comparação com 5,8% dos pacientes designados para ixequizumabe isoladamente (P <0,001), relataram pesquisadores liderados por Mark Lebwohl, MD, da Icahn School of Medicine at Mount Sinai, na cidade de Nova York, EUA.
Mais pacientes designados para o grupo da tirzepatida também atingiram os critérios de remissão completa das lesões6 cutâneas7 isoladamente (medida pelo Índice de Gravidade da Área da Psoríase2 [PASI] 100), com taxas respectivas de 40,6% e 29% (P = 0,04). Outros benefícios foram observados na qualidade de vida relacionada à pele8, bem como nos níveis de triglicerídeos e na pressão arterial9.
Nenhum novo sinal10 de segurança foi identificado, sendo os eventos gastrointestinais e as reações no local da injeção11 os eventos adversos mais comuns.
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“Esses achados corroboram a elevação do padrão de tratamento, passando da psoríase2 isolada para uma abordagem terapêutica14 que aborde os componentes imunológicos e metabólicos (especialmente a obesidade5) da inflamação13 associada à psoríase”, escreveram Lebwohl e seus colegas na conclusão.
“Este estudo complementa os resultados do TOGETHER-PsA, que demonstrou melhora clinicamente significativa da artrite15 psoriásica, da função física e da qualidade de vida, além de reduções no peso”, acrescentaram.
Além do controle do diabetes16 e do peso, os agonistas de GLP-1 têm sido indicados para o tratamento da apneia17 do sono, da esteato-hepatite18 associada à disfunção metabólica e para a redução do risco cardiovascular.
O potencial terapêutico desses agentes tem atraído cada vez mais o interesse de médicos e pesquisadores também na área da psoríase2, e a National Psoriasis Foundation agora fornece informações sobre os agonistas de GLP-1 no tratamento da psoríase2.
Apesar da escassez de evidências robustas, o interesse nos agonistas de GLP-1 no tratamento da psoríase2 tem uma forte justificativa baseada nos efeitos comprovados desses medicamentos sobre a obesidade5 e a síndrome metabólica19, duas comorbidades20 comuns em pacientes com psoríase2 e artrite15 psoriásica. Uma recente revisão retrospectiva de prontuários de 1.500 pacientes com psoríase2 ou hidradenite supurativa mostrou que 60% deles eram elegíveis para o uso de agonistas de GLP-1.
A psoríase2 é reconhecida como um fator de risco21 para hipertrigliceridemia e um agravante do risco cardiovascular, mas não existem tratamentos especificamente indicados para reduzir esse risco, observaram os autores de um editorial que acompanhou os resultados do estudo.
As descobertas do estudo TOGETHER-PsO devem ser um “chamado à ação para dermatologistas”, de acordo com Michael Garshick, MD, cardiologista22 da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, na cidade de Nova York, e Joel Gelfand, MD, dermatologista da Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia.
“A doença cardiovascular em pacientes com psoríase2 começa precocemente com danos endoteliais (um precursor da aterosclerose23 clínica), potencializados por citocinas24 pró-inflamatórias, dislipidemia, resistência à insulina25 e plaquetas26 hiperativadas (tromboinflamação)”, escreveram eles. Apesar da vasta quantidade de evidências que associam a psoríase2, de forma dose-dependente, a doenças cardiometabólicas, o subdiagnóstico e o subtratamento generalizados e persistentes dos fatores de risco cardiovascular em pacientes com psoríase2 continuam resultando em morbidade27 e mortalidade28 evitáveis.
Os editorialistas observaram algumas limitações do estudo – incluindo o desenho aberto, o desfecho primário composto e a ausência de um comparador placebo29 para a tirzepatida – e solicitaram a realização de ensaios controlados por placebo29 para definir claramente os potenciais benefícios dos agonistas da incretina nos desfechos cutâneos.
“Para alguns pacientes, particularmente aqueles com obesidade5 e psoríase2 leve a moderada, é possível que a psoríase2 entre em remissão apenas com agonistas da incretina, o que estabeleceria um novo paradigma no qual um paciente com sobrepeso4 ou obesidade5 e psoríase2 é tratado inicialmente com terapia com incretina e, caso a psoríase2 não entre em remissão, tratamentos direcionados à pele8 podem ser adicionados conforme necessário”, escreveram Garshick e Gelfand.
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Confira a seguir o resumo do artigo publicado.
Ixequizumabe com ou sem tirzepatida em adultos com psoríase2 e sobrepeso4 ou obesidade5
O sobrepeso4 e a obesidade5 afetam de 60% a 78% dos pacientes com psoríase2, influenciando a gravidade da doença, a resposta ao tratamento e os resultados clínicos. No entanto, nenhum grande ensaio clínico randomizado30 e controlado por tratamento ativo havia avaliado uma estratégia de terapêutica14 que abordasse ambas as doenças simultaneamente.
O objetivo deste estudo, portanto, foi avaliar a eficácia e a segurança do ixequizumabe com ou sem tirzepatida em participantes com psoríase2 e sobrepeso4 ou obesidade5.
Este ensaio clínico de fase 3b, randomizado30, aberto, com duração de 52 semanas, foi conduzido em 72 centros nos EUA, com adultos com psoríase2 em placas3 moderada a grave que apresentavam sobrepeso4 com uma ou mais comorbidades20 relacionadas ao peso ou obesidade5. O ensaio clínico teve início em 30 de setembro de 2024 e concluiu o desfecho primário da semana 36 em 8 de janeiro de 2026. Os dados foram analisados de janeiro a fevereiro de 2026.
Os participantes foram randomizados (1:1) para receber ixequizumabe mais tirzepatida ou ixequizumabe como adjuvante à dieta e exercícios em ambos os braços de tratamento.
Na semana 36, o desfecho primário foi a obtenção simultânea de PASI 100 – ou seja, remissão completa das lesões6 de psoríase2 segundo o Psoriasis Area and Severity Index – e uma redução de peso de 10% ou mais. Os principais desfechos secundários foram PASI 100, obtenção simultânea de PASI 75 e redução de peso de 5% ou mais, bem como redução de peso de 10% ou mais.
Entre os 274 participantes randomizados (idade média [DP], 45,6 [12,7] anos; 123 [44,9%] mulheres e 151 [55,1%] homens; índice de massa corporal31 médio [DP] na triagem, 39,2 [9,1]; duração média [DP] da psoríase2, 14,6 [13,0] anos; PASI médio [DP], 19,7 [8,1]), 231 (84,3%) completaram o tratamento até a semana 36.
No geral, 27,1% dos participantes alcançaram simultaneamente PASI 100 e uma redução de peso de 10% ou mais com ixequizumabe mais tirzepatida versus 5,8% com ixequizumabe (diferença de risco [RD], 21,2%; IC 95%, 12,8%-29,7%; P <0,001).
Além disso, 40,6% vs. 29,0% dos participantes atingiram PASI 100 (RD, 11,6%; IC 95%, 0,3%-22,9%; P = 0,04), 79,9% vs. 17,9% atingiram simultaneamente PASI 75 e uma redução de peso de 5% ou mais (RD, 62,0%; IC 95%, 51,7%-72,2%; P <0,001) e 69,2% vs. 9,1% atingiram uma redução de peso de 10% ou mais (RD, 60,0%; IC 95%, 50,4%-69,7%; P <0,001), respectivamente.
Os eventos adversos foram geralmente consistentes com os perfis de segurança estabelecidos para o medicamento, sendo os mais comuns eventos gastrointestinais e reações no local da injeção11. Eventos gastrointestinais ocorreram com mais frequência com ixequizumabe mais tirzepatida em comparação com ixequizumabe isoladamente.
Os resultados do estudo sugerem que a administração concomitante de ixequizumabe e tirzepatida produziu melhorias clinicamente significativas e estatisticamente relevantes na remissão das lesões6 cutâneas7 e reduções de peso em participantes com psoríase2 moderada a grave, sem novas preocupações de segurança, além de proporcionar benefícios cardiometabólicos adicionais e um potencial para elevar o padrão de cuidado.
Veja também sobre "Tratamento da obesidade5: agonistas GLP-1 e novas tecnologias" e "Repercussões cardíacas da obesidade5".
Fontes:
JAMA Dermatology, publicação em 15 de maio de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 15 de maio de 2026.










