Exame de sangue pode prever resposta à imunoterapia no câncer de mama
Um novo biomarcador sanguíneo desenvolvido por imunologistas pode prever quais pacientes com certos tipos de câncer1 de mama2 têm maior probabilidade de responder à imunoterapia, tratamento que estimula respostas mediadas por células3 T e pode estar associado à redução dos tumores. As descobertas foram publicadas na revista Science Translational Medicine.
A imunoterapia tornou-se parte do tratamento de alguns cânceres de mama2 de alto risco em estágio inicial, mas nem todas as pacientes respondem de forma adequada, tornando necessários biomarcadores capazes de prever quem tem maior probabilidade de se beneficiar.
Agora, um estudo liderado por pesquisadores do Vanderbilt-Ingram Cancer1 Center descobriu que a coleta repetida de amostras de sangue4 – uma forma de biópsia5 líquida – pode avaliar e prever a evolução da resposta imune antitumoral à terapia.
Essa alternativa minimamente invasiva e de baixo custo em relação à biópsia5 tecidual oferece “uma ferramenta acessível para personalizar as estratégias de tratamento no câncer1 de mama”, relataram os pesquisadores.
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Os pesquisadores realizaram o sequenciamento de RNA em 546 amostras de sangue4 periférico de 160 pacientes com câncer1 de mama2 de alto risco, em estágios 2 ou 3, HER2-negativo, durante o tratamento com quimioterapia7 isolada ou em combinação com imunoterapia.
Embora testes de DNA livre de células3 já sejam usados como forma de biópsia5 líquida em diversas neoplasias8, o estudo adotou uma abordagem diferente: em vez de analisar DNA tumoral circulante, os pesquisadores avaliaram o transcriptoma do sangue4 periférico, isto é, o conjunto de RNAs expressos pelas células sanguíneas9, em busca de sinais10 de expansão clonal e ativação de células3 T antitumorais. Esse perfil transcricional foi capaz de prever a resposta ao medicamento imunoterápico pembrolizumabe.
As amostras analisadas vieram do ensaio clínico nacional I-SPY2, que avalia novas estratégias de tratamento para subgrupos de câncer1 de mama2 com base em suas características moleculares (assinaturas de biomarcadores). O Vanderbilt Health está entre os 42 locais participantes do estudo.
Embora ainda sejam necessários estudos adicionais para confirmar sua utilidade clínica, essa nova biópsia5 líquida tem o potencial de “orientar a tomada de decisões em imunoterapia, personalizar regimes de tratamento e promover avanços na oncologia de precisão, não apenas no câncer1 de mama2, mas potencialmente também em outros tumores sólidos”, concluíram os pesquisadores.
Confira a seguir o resumo do artigo publicado.
Análise do perfil transcricional do sangue4 periférico prevê o subtipo tumoral e os resultados da quimioimunoterapia neoadjuvante no câncer1 de mama2 humano
Embora muitas tentativas tenham sido feitas para prever as respostas à imunoterapia, biomarcadores dinâmicos de resposta à terapia, cruciais para a oncologia de precisão, frequentemente dependem de amostras de tecido11 tumoral, que exigem coletas invasivas e nem sempre viáveis, ou de análises de DNA livre de células3, que podem ser dispendiosas. Em contraste, o sangue4 periférico oferece uma janela minimamente invasiva e dinâmica para a evolução do panorama imunológico sistêmico12.
Aproveitando essa vantagem, optou-se por usar o sequenciamento global de RNA em sangue4 periférico para definir se uma paciente com câncer1 de mama2 provavelmente responderia à imunoterapia e à quimioterapia7.
Foi realizado o sequenciamento de RNA em 546 amostras de sangue4 periférico de 160 pacientes com câncer1 de mama2 HER2-negativo em estágio II/III de alto risco, tratadas com quimioterapia7 isolada ou em combinação com imunoterapia (quimioimunoterapia).
A análise revelou correlações imunológicas entre o subtipo tumoral e a resposta ao tratamento. Por exemplo, amostras de pacientes com câncer1 de mama2 triplo-negativo exibiram clonalidade elevada do receptor de células3 T e perfis robustos de ativação imunológica. Entre as pacientes que receberam quimioimunoterapia, aquelas com resposta precoce demonstraram alta diversidade basal do receptor de células3 T, seguida por rápida expansão clonal e ativação das células3 T após apenas um ciclo de tratamento.
A partir desses achados, desenvolveu-se um biomarcador imunológico periférico multiparamétrico que integra características basais e do início do tratamento para prever a resposta ao pembrolizumabe. Esse biomarcador foi validado com sucesso em uma coorte13 independente de 59 pacientes com câncer1 de mama2 tratadas com dostarlimabe neoadjuvante.
O biomarcador foi associado a marcadores de resposta de células3 T CD8 citotóxicas, sugerindo que essas células3 podem ser as efetoras responsáveis pela redução tumoral.
Esses achados revelam o potencial do monitoramento imunológico baseado em exames de sangue4 para prever o benefício da imunoterapia, oferecendo uma ferramenta acessível para o desenvolvimento de estratégias de tratamento personalizadas no câncer1 de mama2. Sugerem ainda que abordagens semelhantes poderiam ser aplicadas a outros tipos de tumores.
Veja também sobre "Câncer1 de mama2 - que é", "Quais são as células3 do sistema imunológico14", "Imunoterapia" e "Quimioterapia7".
Fontes:
Science Translational Medicine, Vol. 18, Nº 846, em 22 de abril de 2026.
EurekAlert!, notícia publicada em 30 de abril de 2026.










