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Survodutida reduziu a gordura no fígado em 84% dos pacientes com obesidade e MASLD

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Um medicamento experimental em investigação para obesidade1 e doenças metabólicas apresentou resultados promissores também sobre a gordura2 acumulada no fígado3. Em um ensaio clínico de fase 3 publicado na revista Nature Medicine, a survodutida reduziu de forma significativa a gordura2 hepática4 e o peso corporal em adultos com obesidade1 e doença hepática4 esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD).

A MASLD, anteriormente conhecida como doença hepática4 gordurosa não alcoólica, está fortemente associada à obesidade1, resistência à insulina5, diabetes tipo 26 e outros fatores cardiometabólicos. Em parte dos pacientes, a condição pode evoluir com inflamação7, fibrose8, cirrose9 e maior risco de complicações hepáticas10. Por isso, há grande interesse em terapias capazes de atuar não apenas no peso corporal, mas também nos mecanismos metabólicos e inflamatórios envolvidos na progressão da doença hepática4.

A survodutida é um agonista11 duplo dos receptores de glucagon12 e GLP-1. Essa combinação busca reproduzir efeitos hormonais envolvidos na regulação do peso, do metabolismo13 e da saúde14 hepática4. No estudo SYNCHRONIZE-MASLD, 216 adultos com obesidade1 e MASLD de maior risco foram acompanhados por 48 semanas. Os participantes receberam injeções subcutâneas semanais de survodutida 6,0 mg ou placebo15.

Leia sobre "Tratamento da obesidade1: agonistas GLP-1 e novas tecnologias" e "O que significa o ganho de peso para o organismo".

Os resultados mostraram que 84,2% dos pacientes tratados com survodutida tiveram redução de pelo menos 30% no conteúdo de gordura2 hepática4, medido por ressonância magnética16, em comparação com 24,3% no grupo placebo15. Reduções ainda maiores também foram observadas: 75,3% dos participantes tratados alcançaram queda de pelo menos 50% na gordura2 hepática4, e 55,5% tiveram redução de 70% ou mais. Além disso, 61,0% dos pacientes no grupo survodutida atingiram normalização da gordura2 hepática4, definida como conteúdo de gordura2 abaixo de 5%, contra 5,7% no placebo15.

O efeito também se estendeu ao peso corporal. Ao final de 48 semanas, a perda média de peso foi de 12,2% com survodutida, contra 1,0% com placebo15. O tratamento ainda foi associado a melhora em marcadores relacionados à inflamação7 hepática4, como ALT e cT1, embora o estudo não tenha sido desenhado para avaliar desfechos clínicos de longo prazo, como evolução para cirrose9 ou redução de eventos hepáticos.

Os eventos adversos mais frequentes foram gastrointestinais, geralmente leves a moderados e mais comuns durante o período de escalonamento da dose. Apesar dos resultados positivos, os autores destacam limitações importantes, incluindo a duração relativamente curta do estudo, de 48 semanas, e a realização em apenas dois países, Estados Unidos e Espanha.

Novos estudos serão necessários para confirmar se as reduções de gordura2 hepática4 e peso se traduzem em benefício clínico sustentado e em menor progressão da doença hepática4.

Confira a seguir o resumo do artigo publicado.

Survodutida em adultos com obesidade1 e doença hepática4 esteatótica associada à disfunção metabólica

A survodutida é um agonista11 duplo dos receptores de glucagon12 e do peptídeo 1 semelhante ao glucagon12 (GLP-1), em investigação para o tratamento da obesidade1 e doenças relacionadas. O estudo de fase 3 SYNCHRONIZE-MASLD, randomizado17, duplo-cego e controlado por placebo15, incluiu 216 adultos (131 mulheres e 85 homens) com obesidade1 (definida como índice de massa corporal18 ≥30 kg/m² ou ≥27 kg/m² com pelo menos uma complicação da obesidade1) e doença hepática4 esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) de risco, definida pela presença de MASLD com evidência de inflamação7 e/ou fibrose8 hepática4 em testes não invasivos ou esteato-hepatite19 associada à disfunção metabólica (MASH) confirmada por biópsia20.

Os participantes foram randomizados (2:1) e tratados com injeções subcutâneas semanais de survodutida 6,0 mg (n = 146) ou placebo15 (n = 70). Os desfechos coprimários – redução de ≥30% no conteúdo de gordura2 hepática4 (CGH) avaliado pela fração de gordura2 por densidade de prótons em ressonância magnética16 (MRI-PDFF) e alteração percentual no peso corporal (ambos da linha de base até a semana 48) – foram alcançados.

No total, 84,2% dos pacientes tratados com survodutida, em comparação com 24,3% dos tratados com placebo15, apresentaram redução ≥30% no CGH segundo o estimando de eficácia (P <0,0001; estimando de regime de tratamento: 68,5% versus 28,6%, respectivamente; P <0,0001).

A alteração percentual média no peso corporal foi de -12,2% com survodutida e -1,0% com placebo15 segundo o estimando de eficácia (P <0,0001; estimando de regime de tratamento: -8,7% versus -1,4%, respectivamente; P <0,0001).

Os eventos adversos relatados com maior frequência com a survodutida foram de natureza gastrointestinal, ocorrendo comumente durante o escalonamento da dose e sendo, em geral, de gravidade leve a moderada.

O estudo concluiu que, em adultos com obesidade1 e MASLD de risco, o tratamento com survodutida foi estatística e clinicamente superior ao placebo15 na redução do conteúdo de gordura2 hepática4, avaliado por MRI-PDFF, e do peso corporal. As limitações incluíram a curta duração do estudo (48 semanas) e o alcance global restrito (participantes recrutados nos Estados Unidos e na Espanha).

Veja também sobre "Esteatose21 metabólica", "MASH - uma doença silenciosa do fígado3" e "Exames do fígado3".

 

Fonte: Nature Medicine, publicação em 07 de junho de 2026.

 

NEWS.MED.BR, 2026. Survodutida reduziu a gordura no fígado em 84% dos pacientes com obesidade e MASLD. Disponível em: <https://news.cxpass.net/p/medical-journal/1511285/survodutida-reduziu-a-gordura-no-figado-em-84-dos-pacientes-com-obesidade-e-masld.htm>. Acesso em: 21 ago. 2026.

Complementos

1 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
2 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
3 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
4 Hepática: Relativa a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
5 Resistência à insulina: Inabilidade do corpo para responder e usar a insulina produzida. A resistência à insulina pode estar relacionada à obesidade, hipertensão e altos níveis de colesterol no sangue.
6 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
7 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
8 Fibrose: 1. Aumento das fibras de um tecido. 2. Formação ou desenvolvimento de tecido conjuntivo em determinado órgão ou tecido como parte de um processo de cicatrização ou de degenerescência fibroide.
9 Cirrose: Substituição do tecido normal de um órgão (freqüentemente do fígado) por um tecido cicatricial fibroso. Deve-se a uma agressão persistente, infecciosa, tóxica ou metabólica, que produz perda progressiva das células funcionalmente ativas. Leva progressivamente à perda funcional do órgão.
10 Hepáticas: Relativas a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
11 Agonista: 1. Em farmacologia, agonista refere-se às ações ou aos estímulos provocados por uma resposta, referente ao aumento (ativação) ou diminuição (inibição) da atividade celular. Sendo uma droga receptiva. 2. Lutador. Na Grécia antiga, pessoa que se dedicava à ginástica para fortalecer o físico ou como preparação para o serviço militar.
12 Glucagon: Hormônio produzido pelas células-alfa do pâncreas. Ele aumenta a glicose sangüínea. Uma forma injetável de glucagon, disponível por prescrição médica, pode ser usada no tratamento da hipoglicemia severa.
13 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
14 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
15 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
16 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
17 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
18 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
19 Hepatite: Inflamação do fígado, caracterizada por coloração amarela da pele e mucosas (icterícia), dor na região superior direita do abdome, cansaço generalizado, aumento do tamanho do fígado, etc. Pode ser produzida por múltiplas causas como infecções virais, toxicidade por drogas, doenças imunológicas, etc.
20 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
21 Esteatose: Degenerescência gordurosa de um tecido.
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