Gostou do artigo? Compartilhe!

Anvisa aprova medicamento não hormonal para ondas de calor e suores noturnos associados à menopausa

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notícia

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Veoza® (fezolinetanto), medicamento oral não hormonal indicado para o tratamento de sintomas1 vasomotores moderados a intensos associados à menopausa2. Esses sintomas1, também conhecidos como fogachos, incluem ondas de calor intenso, que podem vir acompanhadas de sudorese3 e rubor, principalmente na cabeça4, no pescoço5, no peito6 e na parte superior das costas7, e podem afetar de forma importante o sono, a qualidade de vida, a produtividade e o bem-estar emocional das mulheres nessa fase da vida.

Diferentemente da terapia hormonal, o fezolinetanto atua diretamente em um circuito cerebral relacionado ao controle da temperatura corporal. Antes da menopausa2, há um equilíbrio entre os estrogênios e a neurocinina B, substância envolvida na regulação dos neurônios8 KNDy, no hipotálamo9. Com a queda dos níveis de estrogênio, esse equilíbrio é alterado, favorecendo a ocorrência dos sintomas1 vasomotores. O fezolinetanto bloqueia a ligação da neurocinina B aos seus alvos no cérebro10, ajudando a reduzir a frequência e a intensidade das ondas de calor e dos suores noturnos.

De acordo com a Astellas Farma, fabricante do medicamento, a aprovação foi baseada nos resultados do programa clínico BRIGHT SKY, que incluiu três estudos de fase 3 que inscreveram coletivamente mais de 3.000 participantes na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá. Os estudos principais, SKYLIGHT 1 e SKYLIGHT 2, avaliaram mulheres com sintomas1 vasomotores moderados a intensos em ensaios duplo-cegos, controlados por placebo11 nas primeiras 12 semanas, seguidos por um período de extensão de 40 semanas. Já o SKYLIGHT 4 foi desenhado para investigar a segurança de longo prazo do fezolinetanto ao longo de 52 semanas.

Leia sobre "Climatério12 e menopausa2: como são" e "Menopausa2 precoce e menopausa2 tardia".

Os dados demonstraram eficácia e segurança de curto e longo prazo, com melhora na frequência e na intensidade dos sintomas1 vasomotores, além de benefícios na qualidade de vida e no sono. Segundo a Anvisa, os estudos mostraram que, após quatro semanas de tratamento, o medicamento reduziu em média 53% das ondas diárias de calor; a intensidade dos sintomas1 também foi menor entre as mulheres tratadas com Veoza® em comparação com aquelas que receberam placebo11.

Os sintomas1 vasomotores estão entre as manifestações mais frequentes da menopausa2. A Astellas informa que sintomas1 moderados a intensos afetam até 80% das mulheres entre 40 e 65 anos. No Brasil, dados citados pela empresa indicam que 36,2% das mulheres na menopausa2 nessa faixa etária apresentam sintomas1 vasomotores moderados a intensos, e que, entre as mulheres sintomáticas, 69,9% classificam as ondas de calor e os suores noturnos como intensos.

Para Ricardo Ogawa, presidente de Mercados Internacionais da Astellas Farma, a aprovação representa um “marco significativo” para a empresa e para a saúde13 da mulher. Segundo ele, a companhia está comprometida em fornecer terapias inovadoras em áreas com necessidades não atendidas e vê o fezolinetanto como uma nova opção para mulheres com ondas de calor e suores noturnos moderados a intensos associados à menopausa2.

A médica ginecologista Dra. Thaís Ushikusa, diretora médica da Astellas Farma Brasil, afirmou que o fezolinetanto “redefine a forma como os sintomas1 da menopausa2 são compreendidos e tratados”, por atuar em um mecanismo diretamente ligado à biologia das ondas de calor. Para ela, a aprovação amplia as possibilidades terapêuticas ao oferecer uma alternativa não hormonal para mulheres que necessitam de tratamento.

O Dr. Nilson Roberto de Melo, ginecologista e presidente da Associação Brasileira de Climatério12 (SOBRAC), classificou a aprovação como um “avanço crucial” na saúde13 da mulher. Segundo ele, as opções não hormonais para o manejo dos sintomas1 vasomotores eram historicamente limitadas e o novo tratamento pode ampliar as alternativas disponíveis para pacientes14 afetadas por calorões e suores noturnos.

A autorização do fezolinetanto no Brasil acompanha uma mudança no entendimento dos sintomas1 vasomotores da menopausa2, que passam a ser abordados também a partir de seus mecanismos neurobiológicos. Ao oferecer uma opção oral não hormonal, o medicamento pode ser especialmente relevante para mulheres que não podem, não desejam ou não têm indicação de utilizar terapia hormonal, sempre com avaliação individualizada por um profissional de saúde13.

Veja também sobre "Terapia de Reposição Hormonal", "Ondas de calor da menopausa2" e "Suor noturno".

 

Fontes:
Astellas Farma, comunicado publicado em 22 de junho de 2026.
Anvisa, notícia publicada em 23 de junho de 2026.

 

NEWS.MED.BR, 2026. Anvisa aprova medicamento não hormonal para ondas de calor e suores noturnos associados à menopausa. Disponível em: <https://news.cxpass.net/p/novos-medicamentos/1511955/anvisa-aprova-medicamento-nao-hormonal-para-ondas-de-calor-e-suores-noturnos-associados-a-menopausa.htm>. Acesso em: 21 ago. 2026.

Complementos

1 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
2 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
3 Sudorese: Suor excessivo
4 Cabeça:
5 Pescoço:
6 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
7 Costas:
8 Neurônios: Unidades celulares básicas do tecido nervoso. Cada neurônio é formado por corpo, axônio e dendritos. Sua função é receber, conduzir e transmitir impulsos no SISTEMA NERVOSO. Sinônimos: Células Nervosas
9 Hipotálamo: Parte ventral do diencéfalo extendendo-se da região do quiasma óptico à borda caudal dos corpos mamilares, formando as paredes lateral e inferior do terceiro ventrículo.
10 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
11 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
12 Climatério: Conjunto de mudanças adaptativas que são produzidas na mulher como conseqüência do declínio da função ovariana na menopausa. Consiste em aumento de peso, “calores” freqüentes, alterações da distribuição dos pêlos corporais, dispareunia.
13 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
14 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência. Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes . As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
Gostou do artigo? Compartilhe!