FDA aprova primeiro comprimido inibidor de PCSK9, capaz de reduzir drasticamente o colesterol LDL
A Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos aprovou um comprimido de uso diário capaz de reduzir os níveis de colesterol1 para valores muito inferiores aos alcançados com as estatinas, os medicamentos de baixo custo usados para essa finalidade.
O medicamento, enlicitida (com o nome comercial Lipfendra), é produzido pela farmacêutica Merck. Ensaios clínicos2 demonstraram que ele pode reduzir os níveis de LDL3, o tipo perigoso de colesterol1, para 50 ou 60, ou até menos. Adultos que não utilizam medicamentos para reduzir o colesterol1 geralmente apresentam níveis acima de 100. O fármaco4 atua inibindo uma proteína conhecida como PCSK9.
Novas diretrizes sobre colesterol1, emitidas pela American Heart Association e pelo American College of Cardiology, recomendam que pessoas com risco acima da média de sofrer ataques cardíacos ou AVCs mantenham seus níveis de LDL3 abaixo de 70. Aqueles que apresentam alto risco, por exemplo, por já terem sofrido um ataque cardíaco, devem manter o LDL3 abaixo de 55.
O preço de tabela do Lipfendra nos Estados Unidos será de US$ 315 para um suprimento de 30 dias, e o medicamento estará disponível em algumas semanas, informou Julie Cunningham, porta-voz da Merck. Atualmente, existem medicamentos injetáveis que funcionam da mesma maneira, mas são mais caros, com preços de tabela entre US$ 500 e US$ 600 mensais (ou mais). Os planos de saúde5, por vezes, relutam em cobrir os custos, e alguns pacientes não desejam receber injeções. Apenas 1% dos seis milhões de pacientes elegíveis utiliza os medicamentos injetáveis. No entanto, um inibidor de PCSK9 pode reduzir o risco de ataques cardíacos em 20% em pacientes de enlicitida alto risco.
Cardiologistas sem vínculo com a Merck elogiaram a aprovação da FDA e o preço do medicamento. A expectativa é que um comprimido, que custa menos que a versão injetável e é mais fácil de administrar, permita que muito mais pacientes mantenham seus níveis de colesterol1 sob controle.
“Estou muito entusiasmado”, disse o Dr. Christopher Cannon, cardiologista6 do Brigham and Women’s Hospital, em Boston, que presta consultoria a várias empresas farmacêuticas, mas não à Merck.
“Isso faria uma grande diferença em comparação com o custo dos inibidores de PCSK9 injetáveis”, afirmou o Dr. David Maron, cardiologista6 especializado em prevenção na Universidade de Stanford.
Saiba mais sobre "Dislipidemia", "Colesterol1 Alto", "Estatinas: prós e contras" e "Nova diretriz ACC/AHA 2026 sobre dislipidemia".
O enlicitida é apresentado na forma de comprimido de 20 mg para administração oral uma vez ao dia; recomenda-se tomá-lo após um jejum de 6 a 8 horas e evitar a ingestão de alimentos nos 30 minutos seguintes à administração.
A aprovação do medicamento baseou-se nos estudos CORALreef Lipids e CORALreef HeFH, dois ensaios clínicos2 de fase III nos quais o enlicitida reduziu os níveis de colesterol1 LDL3 em 56% e 59%, respectivamente, em comparação com o placebo7, na 24ª semana. Juntos, os estudos totalizaram 3.207 participantes com hipercolesterolemia8 grave; o primeiro incluiu adultos com histórico ou alto risco de doença cardiovascular aterosclerótica, enquanto o segundo recrutou apenas pacientes com hipercolesterolemia8 familiar heterozigótica.
Outro estudo de fase III, o CORALreef AddOn, também demonstrou a eficácia do enlicitida na redução do colesterol1 quando comparado a terapias orais não baseadas em estatinas, como ezetimiba (Zetia), ácido bempedoico (Nexletol) ou a combinação de ambos (Nexlizet).
Em estudos com inibidores de PCSK9 injetáveis, o bloqueio da PCSK9 reduziu em 20% a incidência9 de ataques cardíacos, AVCs e mortes cardiovasculares em pessoas de alto risco. A Merck está conduzindo um estudo no momento para verificar se o Lipfendra produz o mesmo efeito. O Dr. Dean Li, presidente da Merck Research Laboratories, afirmou estar confiante de que isso ocorrerá.
O Dr. Li disse que a empresa deseja tornar a redução do colesterol1 com o Lipfendra tão fácil e conveniente quanto é com as estatinas. Médicos de atenção primária podem prescrevê-lo – o uso não precisa ficar restrito a cardiologistas. Ele acrescentou que os pacientes já estão acostumados a tomar comprimidos diariamente; a maioria das pessoas em risco de ataque cardíaco já toma, pelo menos, um medicamento para pressão arterial10, uma estatina e aspirina.
A FDA observou que não houve excesso de eventos de segurança com o enlicitida no estudo CORALreef Lipids. No estudo CORALreef HeFH, diarreia11 e tontura12 ocorreram com maior frequência com o inibidor oral da PCSK9 do que com o placebo7.
Confira a seguir o comunicado publicado pela agência.
FDA aprova a primeira terapia oral que inibe a proproteína convertase subtilisina/kexina tipo 9 (PCSK9) para reduzir o colesterol1 ruim em adultos com colesterol1 alto
A FDA aprovou o Lipfendra (enlicitida) como tratamento a ser utilizado em conjunto com dieta e exercícios para reduzir o colesterol1 de lipoproteína de baixa densidade (LDL3-C) em adultos com colesterol1 alto ou com um tipo hereditário de colesterol1 elevado denominado hipercolesterolemia8 familiar heterozigótica (HFHe).
O Lipfendra é um comprimido de administração oral, tomado uma vez ao dia.
A condição
A hipercolesterolemia8 ocorre quando há excesso de colesterol1 de lipoproteína de baixa densidade (LDL3-C), ou colesterol1 “ruim”, no sangue13. O colesterol1 é uma substância cerosa, semelhante à gordura14, de que o organismo necessita para construir células15 e produzir hormônios; no entanto, níveis elevados de LDL3-C podem ser prejudiciais. Com o tempo, o excesso de LDL3-C penetra no revestimento das artérias16. Juntamente com células15 inflamatórias, ele fica retido nas paredes arteriais, formando placas17. Esse acúmulo estreita as artérias16 e restringe o fluxo sanguíneo. Se uma placa18 se romper, pode desencadear a formação de um coágulo19 sanguíneo, levando potencialmente a problemas de saúde5 graves, como ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral20 (AVC).
Inicialmente, o colesterol1 alto geralmente não causa sintomas21; por isso, muitas pessoas desconhecem a condição, a menos que realizem um exame de sangue13 conhecido como perfil lipídico22. O tipo de alimentação de uma pessoa, a baixa atividade física, o excesso de peso corporal e a genética podem contribuir para níveis elevados de colesterol1.
Existem diversas opções para tratar o colesterol1 alto, incluindo estatinas, ezetimiba e inibidores da PCSK9. No entanto, o Lipfendra é o primeiro medicamento de administração oral que bloqueia a PCSK9.
Dados de suporte ao Lipfendra
A eficácia e a segurança do Lipfendra foram demonstradas em dois estudos randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo7, envolvendo um total de 3.207 adultos com hipercolesterolemia8 grave, incluindo pacientes com e sem HFHe, que já faziam uso de terapia com estatinas na dose máxima tolerada. O desfecho primário de ambos os estudos foi a alteração percentual do LDL3-C em relação à linha de base até a 24ª semana, em comparação com o placebo7.
No primeiro estudo, que incluiu adultos com histórico de doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA) ou em alto risco de DCVA, a média de LDL3-C na linha de base era de 96 mg/dL23. A variação percentual média do LDL3-C, do valor basal até a semana 24, foi de -56% no grupo tratado com Lipfendra em comparação com o grupo placebo7.
No segundo estudo, que incluiu apenas adultos com HFHe, a média basal de LDL3-C foi de 119 mg/dL23. A variação percentual média do LDL3-C, do valor basal até a semana 24, foi de -59% no grupo tratado com Lipfendra em comparação com o grupo placebo7.
Informações de segurança
No primeiro estudo, a frequência de reações adversas foi semelhante entre os pacientes tratados com Lipfendra e aqueles que receberam placebo7. No segundo estudo, as reações adversas mais comuns em adultos com HFHe tratados com Lipfendra, que ocorreram com frequência superior à observada com placebo7, foram diarreia11 e tontura12. Em ambos os estudos, proporções semelhantes de pacientes tratados com Lipfendra e de pacientes tratados com placebo7 interromperam o tratamento devido a reações adversas.
Leia sobre "Entendendo o colesterol1 do organismo", "Aterosclerose24" e "Doenças cardiovasculares25".
Fontes:
Food and Drug Administration, comunicado publicado em 16 de julho de 2026.
The New York Times, notícia publicada em 16 de julho de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 16 de julho de 2026.










