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Estudo mostra que o envolvimento com as artes pode retardar o envelhecimento biológico

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Se você quer aumentar suas chances de viver uma vida longa, provavelmente já ouviu repetidas vezes o conselho de se alimentar bem e praticar exercícios.

Um estudo recente traz agora uma nova ideia: estimule sua expressão criativa e participe mais das artes. O estudo, publicado no jornal científico Innovation in Aging, descobriu que essa prática pode ajudar a aumentar a longevidade, retardando o processo de envelhecimento.

Pessoas que praticam artes plásticas e tocam instrumentos musicais relatam que a expressão criativa pode diminuir seu nível de estresse. Pesquisadores do University College London suspeitaram que os benefícios iam além disso.

Eles analisaram dados de pesquisas e amostras de sangue1 de cerca de 3.500 adultos que participaram de um estudo de longo prazo no Reino Unido, incluindo alguns muito envolvidos com as artes e outros com pouca ou nenhuma ligação com elas. Em seguida, utilizaram relógios epigenéticos para avaliar a taxa de envelhecimento dos participantes.

“Descobrimos neste estudo que o ‘envolvimento com as artes’ estava relacionado a taxas de envelhecimento 4% mais lentas, o que significa que as pessoas eram cerca de um ano mais jovens, biologicamente, se estivessem regularmente envolvidas com as artes”, explica a pesquisadora Daisy Fancourt. “Essa é exatamente a mesma redução no envelhecimento biológico que observamos para a atividade física”, afirma.

Os participantes responderam a uma série de perguntas acerca de diferentes tópicos, desde seus hábitos de exercícios até questões sobre mais de 40 atividades artísticas diferentes.

A taxa de envelhecimento mais lenta se manteve tanto para os “praticantes” de arte – pessoas que dançam, cantam ou criam arte – quanto para aqueles que apreciam a arte indo a concertos, teatro ou museus.

“Honestamente, isso realmente me surpreende”, declara Steven Horvath, geneticista e bioestatístico da UCLA. Ele é o responsável pelo desenvolvimento do Relógio de Envelhecimento de Horvath, uma ferramenta que os pesquisadores usam para avaliar a idade biológica de uma pessoa com base em alterações químicas específicas em seu DNA ao longo do tempo.

Leia sobre "Longevidade - o que é", "O processo de envelhecimento" e "Genética e longevidade".

Medindo a taxa de envelhecimento

Os autores do novo estudo utilizaram sete relógios epigenéticos, incluindo um relógio de Horvath, cada um dos quais adiciona diferentes nuances à interpretação do envelhecimento, da morbidade2 e do risco de mortalidade3. Estudos anteriores mostraram que hábitos saudáveis podem retardar o envelhecimento epigenético, e este novo estudo traz uma nova perspectiva.

“Acho que este é um estudo muito rigoroso, e o que é particularmente novo para mim é que o envolvimento com as artes pode ter efeitos comparáveis aos da atividade física”, diz Horvath.

Horvath explica que a idade cronológica de uma pessoa é a sua idade real em anos, com base na data da certidão de nascimento. Mas, como as pessoas não envelhecem no mesmo ritmo, um relógio epigenético pode avaliar a taxa de envelhecimento, ou a idade “biológica”.

“No geral, acredito que este estudo leva o campo dos relógios epigenéticos a novas fronteiras”, diz ele, em direção à avaliação dos efeitos das atividades de lazer no envelhecimento.

Como funciona um relógio epigenético?

Os relógios epigenéticos são testes que analisam padrões de metilação do DNA. À medida que envelhecemos, marcadores químicos chamados grupos metil se ligam ao nosso DNA. O padrão desses marcadores fornece aos pesquisadores um indicador da idade biológica.

“Você pode usar a metilação para medir o tempo em todas as células4 que contêm DNA”, explica Horvath.

Horvath passou anos na UCLA estudando como esse biomarcador molecular do envelhecimento funciona. Em sua pesquisa, ele documentou como a metilação altera uma das quatro letras do DNA – especificamente o C, que representa a citosina.

“Algumas dessas alterações nos protegem”, diz ele, “mas outras podem levar a consequências adversas”. Ele e seus colaboradores identificaram locais no DNA onde o padrão de modificações químicas está mais fortemente correlacionado com as alterações do envelhecimento. Eles descobriram que quanto maior a proporção de DNA metilado em certos locais, mais acelerada é a idade biológica de uma pessoa.

“Passamos mais de 10 anos tentando entender quais fatores aceleram o nosso relógio epigenético”, diz Horvath. Eles descobriram que fumar, ter uma alimentação inadequada, um estilo de vida sedentário e “praticamente qualquer fator de estilo de vida prejudicial” aceleram o processo de envelhecimento.

Por outro lado, uma dieta rica em micronutrientes5 provenientes de frutas e vegetais, um peso corporal saudável e exercícios físicos regulares ajudam a retardar a metilação.

Uma intervenção não farmacológica”

O estudo do University College London sugere que se investigue mais a fundo os benefícios das artes para a saúde6.

Os dados da pesquisa incluíram apenas um panorama da atividade artística dos participantes, já que eles foram questionados sobre os tipos de hobbies artísticos e eventos culturais dos quais participaram nos últimos 12 meses. “É uma observação intrigante, mas definitivamente precisa ser replicada”, afirma Horvath.

E muitas perguntas permanecem. Por exemplo, se uma pessoa que não é ativa nas artes agora poderia adotar um novo hobby de música ou arte na meia-idade e experimentar uma desaceleração do envelhecimento, e com que frequência precisaria participar para obter resultados significativos.

O cardiologista7 Doug Vaughan, da Northwestern University, afirma que as atividades criativas podem ser um antídoto8 para o estresse. Quando as pessoas reduzem seus níveis de estresse a longo prazo, diz ele, isso também pode ajudar a diminuir a inflamação9, que é um dos mecanismos pelos quais as artes podem estar ligadas a um envelhecimento mais lento.

“As artes, ou ser criativo ou apreciar as artes, são uma intervenção não farmacológica”, diz Vaughan, da qual as pessoas podem desfrutar. Um de seus novos projetos de pesquisa testará os efeitos de um programa de redução de estresse na idade epigenética. “A biologia é bastante clara”, diz ele, apontando para os efeitos negativos do estresse crônico10 na saúde6.

Vaughan afirma que muitos de seus pacientes lhe dizem estar interessados em encontrar maneiras de se manterem saudáveis sem precisar de receita médica. Portanto, ele diz que quando algo pode ser divertido e também bom para a nossa saúde6, é uma situação em que todos saem ganhando.

Veja também sobre "Idade metabólica versus idade cronológica", "Suplementos "anti-idade" prolongam a vida?" e "O envelhecimento saudável".

Confira a seguir o resumo do artigo publicado.

A atividade de lazer influencia o envelhecimento epigenético? Análises do envolvimento com as artes e da atividade física no Estudo Longitudinal de Famílias do Reino Unido

Ao longo da última década, os relógios biológicos têm sido amplamente adotados como ferramentas importantes para a compreensão do envelhecimento biológico e têm redefinido as noções de estilos de vida “pró-longevidade”. No entanto, este trabalho ainda está em fase inicial. Algumas atividades de lazer, como o envolvimento artístico e cultural (EnvAC), nunca foram estudadas, enquanto outras, como a atividade física (AF), receberam apenas pouca atenção.

Este estudo utilizou dados de 3.556 adultos (2010–2012) do Estudo Longitudinal de Famílias do Reino Unido, um grande estudo de coorte11 representativo a nível nacional, que inclui 7 relógios epigenéticos derivados. Utilizou-se uma estimativa duplamente robusta com o estimador de regressão ponderada pela probabilidade inversa, ajustado para covariáveis demográficas, socioeconômicas, lacunas na coleta de dados e covariáveis técnicas dos relógios epigenéticos.

O EnvAC e a AF foram relacionados a um envelhecimento epigenético mais lento nos relógios PhenoAge, DunedinPoAm e DunedinPACE, embora não nos outros relógios medidos (Lin, Horvath 2018, Horvath 2013 e Hannum), com tamanhos de efeito comparáveis entre EnvAC e AF. As evidências foram encontradas consistentemente em diferentes medidas de envolvimento, incluindo diversidade e frequência para EnvAC, bem como frequência, diversidade e atividade para AF. Esses resultados foram geralmente mais fortes entre adultos de meia-idade e mais velhos, com 40 anos ou mais.

Esse estudo fornece a primeira evidência de que o envolvimento artístico e cultural, um comportamento de saúde6 reconhecido muito mais recentemente, está relacionado ao envelhecimento epigenético, com magnitudes comparáveis às da atividade física. Essas descobertas posicionam o EnvAC como um potencial contribuinte para o envelhecimento saudável em nível biológico, apoiando sua inclusão em estratégias de saúde6 pública.

 

Fontes:
Innovation in Aging, Vol. 10, Nº 6, em 11 de maio de 2026.
NPR, notícia publicada em 12 de maio de 2026.

 

NEWS.MED.BR, 2026. Estudo mostra que o envolvimento com as artes pode retardar o envelhecimento biológico. Disponível em: <https://news.cxpass.net/p/medical-journal/1508575/estudo-mostra-que-o-envolvimento-com-as-artes-pode-retardar-o-envelhecimento-biologico.htm>. Acesso em: 21 ago. 2026.

Complementos

1 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
2 Morbidade: Morbidade ou morbilidade é a taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada, em determinado local e em determinado momento.
3 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
4 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
5 Micronutrientes: No grupo dos micronutrientes estão as vitaminas e os minerais. Esses nutrientes estão presentes nos alimentos em pequenas quantidades e são indispensáveis para o funcionamento adequado do nosso organismo. Exemplos: cálcio, ferro, sódio, etc.
6 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
7 Cardiologista: Médico especializado em tratar pessoas com problemas cardíacos.
8 Antídoto: Substância ou mistura que neutraliza os efeitos de um veneno. Esta ação pode reagir diretamente com o veneno ou amenizar/reverter a ação biológica causada por ele.
9 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
10 Crônico: Descreve algo que existe por longo período de tempo. O oposto de agudo.
11 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
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