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Três fatores foram associados a 13 anos adicionais livres de demência

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Manter três fatores-chave de saúde1 durante a meia-idade – pressão arterial2 normal, ausência de diabetes3 e não fumar – associou-se a quase 13 anos adicionais livres de demência4, segundo um estudo realizado com 12.000 pessoas nos EUA.

Indivíduos que atendiam a esses critérios aos 55 anos viveram, em média, mais 30,1 anos livres de demência4, relataram Josef Coresh, MD, PhD, da NYU Langone Health, em Nova York, e seus coautores.

Por outro lado, aqueles que fumavam, tinham hipertensão5 e diabetes3 aos 55 anos apresentaram uma sobrevida6 livre de demência4 de apenas 17,5 anos, escreveram Coresh e colegas na revista Neurology Open Access.

Pessoas com os três fatores de risco apresentaram maior incidência7 de demência4 (HR 2,69; IC de 95%: 1,94-3,73) e maior incidência7 de morte antes de um diagnóstico8 de demência4 (HR 5,61; IC de 95%: 4,67-6,74) em comparação com aquelas que não apresentavam fatores de risco.

De modo geral, as mulheres viveram mais tempo sem demência4 do que os homens em todos os níveis de risco. Participantes brancos tiveram mais anos livres de demência4 do que participantes negros, e portadores do gene APOE4 apresentaram menor sobrevida6 livre de demência4 do que não portadores.

“Nossas descobertas indicam que as pessoas precisam evitar ativamente esses fatores na meia-idade como uma estratégia para preservar a saúde1 cerebral por mais de uma década”, disse Coresh em um comunicado. “Descobrir novas formas de retardar a demência4 é crucial, visto que 42% dos americanos correm risco de desenvolver a condição a qualquer momento após os 55 anos.”

Leia sobre "Doenças demenciais", "Prevenção do declínio cognitivo9" e "O processo de envelhecimento".

Os resultados basearam-se em 12.409 participantes do estudo prospectivo10 Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC), iniciado em 1986 para avaliar fatores de risco vascular11 na meia-idade e a demência4 em idade avançada.

Pesquisas anteriores da coorte12 ARIC sugeriram que de 22% a 44% do risco de demência4 aos 80 anos poderiam ser atribuídos a três fatores de risco vascular11 medidos na meia-idade e no início da fase adulta tardia, após considerar a coexistência e as interações entre os fatores de risco.

“Nosso estudo complementa esse trabalho importante ao deslocar o foco de métricas de risco baseadas em probabilidade e risco atribuível para um estimando baseado no tempo – anos de sobrevida6 livre de demência4 –, que quantifica a duração esperada de vida vivida com integridade cognitiva13”, escreveram Coresh e colegas.

“Esse desfecho integra dois processos clinicamente relevantes: a incidência7 de demência4 e o óbito14 antes da demência4, refletindo, assim, os riscos competitivos que moldam as trajetórias de envelhecimento no mundo real”, ressaltaram. “Ao contrário de estudos anteriores do ARIC, essa abordagem enfatiza como a saúde1 vascular11 influencia o equilíbrio entre longevidade e saúde1 cognitiva13 ao longo da vida.”

No artigo publicado os pesquisadores relatam que fatores de risco vascular11 na meia-idade estão associados tanto à demência4 quanto à morte prematura; no entanto, sua associação combinada com os anos de sobrevida6 livre de demência4 permanece incerta. Esse desfecho centrado no paciente é fundamental para o estabelecimento compartilhado de metas. Estimou-se, portanto, a sobrevida6 livre de demência4 dos 55 aos 95 anos de idade de acordo com a carga de fatores de risco vascular11 na meia-idade.

Foi realizado um estudo de coorte15 prospectivo10 (estudo Atherosclerosis Risk in Communities) com participantes de quatro comunidades dos EUA. Os participantes estavam vivos e livres de demência4 aos 55 anos e possuíam medições da “visita 2” (1990–1992) referentes a diabetes3 (autorrelato, uso de medicação ou HbA1c16 ≥6,5%), hipertensão5 (pressão arterial2 ≥140/90 mmHg ou uso de medicação) e tabagismo atual. A carga de risco vascular11 foi definida pelo número desses fatores de risco presentes (0 a 3).

A demência4 foi identificada por meio de avaliações cognitivas, entrevistas com informantes e monitoramento contínuo até 2022, com adjudicação por especialistas. A morte sem demência4 foi verificada a partir de múltiplas fontes, incluindo o National Death Index.

Utilizando a idade como escala temporal e considerando a morte como risco competitivo, estimou-se a incidência7 cumulativa, os riscos específicos por causa e o tempo médio restrito de sobrevida6 livre de demência4. As análises foram estratificadas por sexo, raça e status do alelo17 ε4 da apolipoproteína E (APOE).

Entre os 12.409 participantes (idade média de 56,2 ± 5,2 anos; 56% mulheres), ao longo de um acompanhamento mediano de 26,3 anos (intervalo interquartil [IQR] 18,9-30,4), 3.008 desenvolveram demência4 e 5.238 faleceram livres de demência4.

Em comparação com a ausência de fatores de risco, a presença dos três fatores de risco associou-se a maiores riscos de demência4 (razão de risco ou hazard ratio [HR] 2,69; IC 95% 1,94-3,73) e de morte sem demência4 (HR 5,61; IC 95% 4,67-6,74).

Uma maior carga de risco vascular11 associou-se a menos anos de sobrevida6 livre de demência4, reduzindo de 30,1 anos (IC 95%: 29,9-30,4) para quem apresentava zero fatores de risco para 17,5 anos (IC 95%: 16,3-18,7) para quem apresentava três fatores de risco.

A incidência7 cumulativa de demência4 começou a aumentar mais precocemente no grupo de maior risco, mas foi menor aos 95 anos de idade, porque a mortalidade18 competitiva foi substancialmente maior nesse grupo.

As mulheres viveram mais tempo livres de demência4 do que os homens (18,1 versus 16,6 anos com três fatores de risco). Participantes negros apresentaram menor tempo de sobrevida6 livre de demência4 do que participantes brancos (16,0 versus 19,6 anos).

O estudo concluiu que a manutenção de uma saúde1 vascular11 ideal na meia-idade associou-se a até 12,6 anos adicionais de sobrevida6 livre de demência4, refletindo tanto o maior risco de demência4 quanto a mortalidade18 competitiva acentuadamente mais elevada. Expressar o risco vascular11 em termos de tempo oferece uma abordagem clara e centrada no paciente para motivar estratégias de prevenção que preservem tanto a saúde1 cardiovascular quanto a cognitiva13.

Saiba mais sobre "6 prejuízos do cigarro para o organismo", "Complicações do diabetes19 mellitus" e "Como prevenir a hipertensão arterial20".

“Várias vias biológicas provavelmente estão na base das associações observadas entre a saúde1 vascular11 e a sobrevida6 livre de demência4, incluindo lesão21 cerebrovascular crônica, neuroinflamação desencadeada por danos vasculares22 decorrentes de hipertensão5 e diabetes3, e estresse oxidativo cumulativo resultante do tabagismo”, escreveram ainda Coresh e seus colegas. “Em conjunto, esses fatores provavelmente aceleram a aterosclerose23, aumentam o risco de acidente vascular cerebral24 (AVC) e podem facilitar a patologia25 da doença de Alzheimer26 ao promover placas27 amiloides e emaranhados de proteína tau.”

Os pesquisadores reconheceram que as conclusões basearam-se em uma única avaliação dos fatores de risco realizada na meia-idade. A identificação de casos de demência4 pode ter variado entre os participantes que compareceram às consultas recentes e aqueles que não o fizeram. Além disso, o estudo foi observacional, e fatores de confusão residuais podem ter influenciado os resultados.

 

Fontes:
Neurology Open Access, Vol. 2, Nº 3, em setembro de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 06 de agosto de 2026.

 

NEWS.MED.BR, 2026. Três fatores foram associados a 13 anos adicionais livres de demência. Disponível em: <https://news.cxpass.net/p/medical-journal/1514165/tres-fatores-foram-associados-a-13-anos-adicionais-livres-de-demencia.htm>. Acesso em: 5 set. 2026.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
3 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
4 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
5 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
6 Sobrevida: Prolongamento da vida além de certo limite; prolongamento da existência além da morte, vida futura.
7 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
8 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
9 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
10 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
11 Vascular: Relativo aos vasos sanguíneos do organismo.
12 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
13 Cognitiva: 1. Relativa ao conhecimento, à cognição. 2. Relativa ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
14 Óbito: Morte de pessoa; passamento, falecimento.
15 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
16 HbA1C: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
17 Alelo: 1. Que ocupa os mesmos loci (locais) nos cromossomos (diz-se de gene). 2. Em genética, é cada uma das formas que um gene pode apresentar e que determina características diferentes.
18 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
19 Complicações do diabetes: São os efeitos prejudiciais do diabetes no organismo, tais como: danos aos olhos, coração, vasos sangüíneos, sistema nervoso, dentes e gengivas, pés, pele e rins. Os estudos mostram que aqueles que mantêm os níveis de glicose do sangue, a pressão arterial e o colesterol próximos aos níveis normais podem ajudar a impedir ou postergar estes problemas.
20 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
21 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
22 Vasculares: Relativo aos vasos sanguíneos do organismo.
23 Aterosclerose: Tipo de arteriosclerose caracterizado pela formação de placas de ateroma sobre a parede das artérias.
24 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
25 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
26 Doença de Alzheimer: É uma doença progressiva, de causa e tratamentos ainda desconhecidos que acomete preferencialmente as pessoas idosas. É uma forma de demência. No início há pequenos esquecimentos, vistos pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, que se vão agravando gradualmente. Os pacientes tornam-se confusos e por vezes agressivos, passando a apresentar alterações da personalidade, com distúrbios de conduta e acabam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmos quando colocados frente a um espelho. Tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação inviabiliza-se e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral, até mesmo para as atividades elementares como alimentação, higiene, vestuário, etc..
27 Placas: 1. Lesões achatadas, semelhantes à pápula, mas com diâmetro superior a um centímetro. 2. Folha de material resistente (metal, vidro, plástico etc.), mais ou menos espessa. 3. Objeto com formato de tabuleta, geralmente de bronze, mármore ou granito, com inscrição comemorativa ou indicativa. 4. Chapa que serve de suporte a um aparelho de iluminação que se fixa em uma superfície vertical ou sobre uma peça de mobiliário, etc. 5. Placa de metal que, colocada na dianteira e na traseira de um veículo automotor, registra o número de licenciamento do veículo. 6. Chapa que, emitida pela administração pública, representa sinal oficial de concessão de certas licenças e autorizações. 7. Lâmina metálica, polida, usualmente como forma em processos de gravura. 8. Área ou zona que difere do resto de uma superfície, ordinariamente pela cor. 9. Mancha mais ou menos espessa na pele, como resultado de doença, escoriação, etc. 10. Em anatomia geral, estrutura ou órgão chato e em forma de placa, como uma escama ou lamela. 11. Em informática, suporte plano, retangular, de fibra de vidro, em que se gravam chips e outros componentes eletrônicos do computador. 12. Em odontologia, camada aderente de bactérias que se forma nos dentes.
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