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Anvisa aprova rimegepanto, novo medicamento oral para tratamento e prevenção da enxaqueca

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Nurtec® ODT, um novo medicamento oral indicado tanto para o tratamento agudo1 quanto para a prevenção das crises de enxaqueca2. A autorização do órgão regulador foi publicada oficialmente no Diário Oficial da União.

A aprovação estipula o uso em pacientes adultos para o tratamento agudo1 da enxaqueca2, com ou sem aura, bem como para o tratamento preventivo3 da enxaqueca2 episódica em pessoas que apresentam pelo menos quatro crises por mês.

Produzido pela Pfizer, o medicamento tem como princípio ativo o hemissulfato de rimegepanto sesqui-hidratado e é um antagonista4 do receptor de CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina5). O CGRP é um neuropeptídeo envolvido na transmissão da dor, na vasodilatação e na inflamação6 neurogênica associadas à enxaqueca2. A medicação atua bloqueando o receptor do CGRP, o que ajuda a interromper ou atenuar os mecanismos envolvidos na crise de enxaqueca2.

Leia sobre "Enxaqueca2" e "Mitos e verdades sobre dor de cabeça7".

A neurologista8 Sara Casagrande, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleias9 e da International Headache Society, explica que o principal diferencial do medicamento é a capacidade de unir o tratamento imediato da crise e a prevenção a longo prazo em uma única terapia por via oral. Ao contrário de outros bloqueadores de CGRP já disponíveis no mercado brasileiro, que são majoritariamente injetáveis, o novo produto é um comprimido orodispersível.

Outra vantagem apontada por especialistas é que o medicamento não provoca vasoconstrição10. Esse efeito colateral11, associado especialmente aos triptanos, restringe o uso por pacientes que apresentam riscos cardiovasculares. Segundo Casagrande, o novo composto é considerado muito mais específico para a enxaqueca2 do que os analgésicos12 comuns, pois foi desenvolvido para agir diretamente no foco do processo inflamatório.

As apresentações comerciais aprovadas pela agência sanitária contam com cartelas de dois, oito e dezesseis comprimidos na dosagem de 75 miligramas. O registro tem validade até maio de 2036.

A eficácia do comprimido orodispersível no tratamento agudo1 da enxaqueca2 foi avaliada em um estudo de fase III publicado pela revista científica The Lancet. Na pesquisa com adultos que sofrem da condição, os pacientes receberam uma dose única de 75 miligramas do medicamento ou placebo13 durante crises de intensidade moderada a grave. Após um período de duas horas, 21% dos participantes tratados com a substância ativa ficaram sem dor, em comparação com apenas 11% dos que receberam o placebo13.

Os testes clínicos também comprovaram uma melhora significativa nos sintomas14 associados que mais incomodam os pacientes, como a náusea15 e a sensibilidade extrema à luz ou ao som. O alívio desses desconfortos secundários foi registrado em 35% dos casos tratados com o medicamento, contra 27% no grupo que utilizou o placebo13. Os eventos adversos mais comuns relatados foram náusea15 e infecção16 urinária, ambos em baixa frequência, sem registro de eventos graves relacionados ao medicamento.

A enxaqueca2 é uma doença neurológica grave, crônica e incapacitante, caracterizada por ataques de dor de cabeça7 moderada a grave, associados a outros sintomas14 como náusea15, vômito17, fotofobia18 e fonofobia. Os ataques geralmente duram de quatro a 72 horas quando não são tratados ou quando o tratamento não tem sucesso. Em alguns pacientes, a enxaqueca2 pode ser precedida ou acompanhada por aura, geralmente com sintomas14 neurológicos transitórios que costumam durar de 5 a 60 minutos.

O rimegepanto faz parte dos chamados gepantes, medicamentos mais recentes desenvolvidos especificamente para a enxaqueca2. Segundo a neurologista8 Sara Casagrande, pacientes brasileiros já importavam o medicamento por conta própria antes da aprovação nacional, e a expectativa entre especialistas era alta havia anos.

Veja também sobre "Enxaqueca2 hemiplégica", "Fotofobia18" e "Orientações para tratamento da cefaleia19".

 

Fontes:
Anvisa, comunicado publicado em 25 de maio de 2026.
Conselho Federal de Farmácia, notícia publicada em 25 de maio de 2026.

 

NEWS.MED.BR, 2026. Anvisa aprova rimegepanto, novo medicamento oral para tratamento e prevenção da enxaqueca. Disponível em: <https://news.cxpass.net/p/novos-medicamentos/1508355/anvisa-aprova-rimegepanto-novo-medicamento-oral-para-tratamento-e-prevencao-da-enxaqueca.htm>. Acesso em: 21 ago. 2026.

Complementos

1 Agudo: Descreve algo que acontece repentinamente e por curto período de tempo. O oposto de crônico.
2 Enxaqueca: Sinônimo de migrânea. É a cefaléia cuja prevalência varia de 10 a 20% da população. Ocorre principalmente em mulheres com uma proporção homem:mulher de 1:2-3. As razões para esta preponderância feminina ainda não estão bem entendidas, mas suspeita-se de alguma relação com o hormônio feminino. Resulta da pressão exercida por vasos sangüíneos dilatados no tecido nervoso cerebral subjacente. O tratamento da enxaqueca envolve normalmente drogas vaso-constritoras para aliviar esta pressão. No entanto, esta medicamentação pode causar efeitos secundários no sistema circulatório e é desaconselhada a pessoas com problemas cardiológicos.
3 Preventivo: 1. Aquilo que previne ou que é executado por medida de segurança; profilático. 2. Na medicina, é qualquer exame ou grupo de exames que têm por objetivo descobrir precocemente lesão suscetível de evolução ameaçadora da vida, como as lesões malignas. 3. Em ginecologia, é o exame ou conjunto de exames que visa surpreender a presença de lesão potencialmente maligna, ou maligna em estágio inicial, especialmente do colo do útero.
4 Antagonista: 1. Opositor. 2. Adversário. 3. Em anatomia geral, que ou o que, numa mesma região anatômica ou função fisiológica, trabalha em sentido contrário (diz-se de músculo). 4. Em medicina, que realiza movimento contrário ou oposto a outro (diz-se de músculo). 5. Em farmácia, que ou o que tende a anular a ação de outro agente (diz-se de agente, medicamento etc.). Agem como bloqueadores de receptores. 6. Em odontologia, que se articula em oposição (diz-se de ou qualquer dente em relação ao da maxila oposta).
5 Calcitonina: Hormônio secretado pela glândula tireoide que inibe a perda de cálcio dos ossos.
6 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
7 Cabeça:
8 Neurologista: Médico especializado em problemas do sistema nervoso.
9 Cefaléias: Sinônimo de dor de cabeça. Este termo engloba todas as dores de cabeça existentes, ou seja, enxaqueca ou migrânea, cefaléia ou dor de cabeça tensional, cefaléia cervicogênica, cefaléia em pontada, cefaléia secundária a sinusite, etc... são tipos dentro do grupo das cefaléias ou dores de cabeça. A cefaléia tipo tensional é a mais comum (acomete 78% da população), seguida da enxaqueca ou migrânea (16% da população).
10 Vasoconstrição: Diminuição do diâmetro dos vasos sanguíneos.
11 Efeito colateral: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
12 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
13 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
14 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
15 Náusea: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc.
16 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
17 Vômito: É a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Pode ser classificado como: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
18 Fotofobia: Dor ocular ou cefaléia produzida perante estímulos visuais. É um sintoma freqüente na meningite, hemorragia subaracnóidea, enxaqueca, etc.
19 Cefaleia: Sinônimo de dor de cabeça. Este termo engloba todas as dores de cabeça existentes, ou seja, enxaqueca ou migrânea, cefaleia ou dor de cabeça tensional, cefaleia cervicogênica, cefaleia em pontada, cefaleia secundária a sinusite, etc... são tipos dentro do grupo das cefaleias ou dores de cabeça. A cefaleia tipo tensional é a mais comum (acomete 78% da população), seguida da enxaqueca ou migrânea (16% da população).
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