Novo medicamento visa uma das mutações mais letais do câncer
Munidos de química sofisticada e novas abordagens para o desenvolvimento de medicamentos, pesquisadores estão se aproximando de estratégias inovadoras para neutralizar uma proteína mutante causadora de câncer1, KRAS, antes considerada “intratável”.
Em uma nova pesquisa, publicada no The New England Journal of Medicine, cientistas avaliaram o medicamento setidegrasib em câncer1 de pulmão2 de células3 não pequenas e adenocarcinoma4 ductal pancreático com mutação5 KRAS p.G12D.
O estudo indicou atividade antitumoral e baixa incidência6 de descontinuação por eventos adversos em pacientes previamente tratados, reforçando o avanço dos inibidores direcionados a variantes de KRAS que, até recentemente, eram consideradas de difícil abordagem terapêutica7.
No artigo, os pesquisadores relatam que a variante KRAS p.G12D ocorre em 5% dos pacientes com câncer1 de pulmão2 de células3 não pequenas (CPCNP) e é a variante de substituição mais comum no adenocarcinoma4 ductal pancreático, ocorrendo em 40% dos pacientes, mas nenhuma terapia direcionada contra essa variante está atualmente aprovada para uso clínico. O setidegrasib (ASP3082) é um degradador de proteína direcionado à KRAS G12D, o primeiro de sua classe.
Foi conduzido um estudo de fase 1 para avaliar a segurança, a farmacocinética, a farmacodinâmica e a atividade antitumoral do setidegrasib em pacientes com tumores sólidos avançados previamente tratados que apresentam variantes KRAS p.G12D.
Os objetivos primários foram avaliar o perfil de segurança, conforme indicado pelos efeitos tóxicos limitantes da dose e eventos adversos (os desfechos primários), e determinar a dose para a fase 2. O setidegrasib foi administrado por via intravenosa uma vez por semana em doses de 10 a 800 mg.
Leia sobre "Tratamento do câncer1", "Mutações genéticas" e "O que são metástases8".
No total, 203 pacientes foram incluídos. Entre os 76 pacientes que receberam setidegrasib na dose de 600 mg, que foi a dose selecionada para a fase 2, todos os pacientes apresentaram eventos adversos durante o tratamento, sendo que 42% apresentaram eventos de grau 3 ou superior.
Eventos adversos relacionados ao tratamento ocorreram em 93% dos pacientes; os mais comuns foram reações transitórias relacionadas à infusão (em 80%) e náuseas9 (em 30%). Os eventos adversos levaram à descontinuação do tratamento em 2 pacientes.
Entre os 45 pacientes com CPCNP que receberam a dose de 600 mg, 36% (intervalo de confiança [IC] de 95%, 22 a 51) apresentaram resposta parcial, a mediana de sobrevida10 livre de progressão foi de 8,3 meses (IC de 95%, 4,1 a não estimável) e a sobrevida10 global estimada em 12 meses foi de 59% (IC de 95%, 40 a 74).
Entre os 21 pacientes com adenocarcinoma4 ductal pancreático metastático que receberam a dose de 600 mg como tratamento de segunda ou terceira linha (dos quais 67% receberam setidegrasib como tratamento de terceira linha), 24% (IC 95%, 8 a 47) apresentaram resposta, a sobrevida10 livre de progressão mediana foi de 3,0 meses (IC 95%, 1,4 a 6,9) e a sobrevida10 global mediana foi de 10,3 meses (IC 95%, 4,2 a 13,0).
O estudo concluiu que o setidegrasib foi associado à atividade antitumoral e a uma baixa incidência6 de descontinuação do tratamento devido a eventos adversos em pacientes com CPCNP avançado ou adenocarcinoma4 ductal pancreático, com mutação5 KRAS p.G12D, previamente tratados.
Fontes:
The New England Journal of Medicine, Vol. 394, Nº 14, em 25 de março de 2026.
Nature, notícia publicada em 07 de abril de 2026.










